• CURSOS
  • EVENTOS
  • EXEMPLOS MUSICAIS
  • PARTITURAS
  • M.E. BRASILEIRA
  • M.E. MEXICANA
  • M.E. CARIBENHA
  • TEXTOS
  • E-MAIL ART MUSIC
  • DISCOGRAFIA
  • BIBLIOGRAFIA
  • LINKS
  • UAVISILIU
  • FÍSICA & ORIENTE
  • CARTOGRAFIA
  • ANARQUISMO
  • COMPOSITORES
  • LEI MURILO MENDES
  • PARTICIPE
  • SERVIÇOS
  • BUSCA
  • LITERATURA
  • DANÇA
  • CINEMA
  • ARQUITETURA
  • PROJETO AIOMM
  • AQUISIÇÃO DE CDs
  • PAULO MOTTA
  • HOME
  • A MÚSICA COMO LINGUAGEM

    Paulo Motta, maio/junho 1993

    Caracterizar uma linguagem musical em um contexto cultural e em um período da história no qual os valores estéticos, dentre outros, se transformam permanentemente, apresenta-se como uma tarefa extremamente complexa e laboriosa, porém significativa e necessária para o exercício das práticas composicional, interpretativa e apreciativa da Música Contemporânea (entendida aqui como possuidora de um conjunto de elementos formais e uma estética composicional e interpretativa que a caracterizaria).

    Ao se procurar fazer uma reflexão filosófica sobre a Música Contemporânea - ou seja, elaborarmos uma estética -, estaríamos identificando propostas estéticas que indicariam, sobretudo, inovações formais (organização do material sonoro) e semânticas (engendramento do discurso musical) em comparação à música composta até o final do século passado e às demais tendências musicais surgidas em nossa época (como o Jazz, o Rock, por exemplo).

    Segundo Jacques Chailley, em sua obra Quarenta mil anos de música, a Música Contemporânea apresenta três orientações preponderantes enunciadas em seus rudimentos por vários compositores no início deste século: 1.a. a liberação da tonalidade (Claude Debussy: modos antigos e escalas exóticas; e Arnold Schoenberg: nivelamento das funções e hierarquias dos doze graus da escala temperada cromática); 2.a. a liberação da simetria e da periodicidade rítmicas (Igor Stravinsky (politonalidade e polirritmia), passando por Oliver Messiaen (modos de valores e intensidades) e culminando com o multisserialismo bouleziano); e 3.a. a busca de novas sonoridades instrumentais (John Cage, Edgar Varèse, Henry Cowell), concretas (Pierre Saheffer e Pierre Henry) e eletrônicas (Karlheinz Stockhausen).

    Essas caracterizações imprimem à composição especificidades que fazem com que a mesma passe a integrar um tipo diferenciado e exclusivo de repertório, mesmo que os compositores se utilizem de outros estilos ou tendências musicais, tais como o Jazz, o Rock ou a Música Folclórica, por exemplo.

    Muito embora seja plurívoco o universo da música do século XX (diferentemente do panorama musical existente até o final do século XIX, quando prevalecia o sistema tonal e os compositores eram, quase em sua totalidade, unânimes na sua utilização), a Música Contemporânea - compreendida aqui como possuidora de uma linguagem específica - é intraduzível em termos de outras linguagens, estilos e/ou tendências musicais. Ou seja, não há como realizar versões de Música Contemporânea em outras linguagens musicais. Ao contrário, pode-se executar uma peça de Bach ou Beethoven utilizando-se da estética jazzística, por exemplo.

    Não obstante, esse fato não implica que o compositor, ao empregar recursos de composição e interpretação que não são específicos da Música Contemporânea, perca os delineamentos formais que a caracterizam. Assim, o compositor de música contemporânea, ao trabalhar com seu material no âmbito da linguagem que a particulariza e associando-a a outras linguagens, não deixaria de imprimir à composição os contornos formais e estéticos próprios e determinantes da linguagem da Música Contemporânea.

    Desta forma, a composição, interpretação e apreciação da Música Contemporânea - termo aqui empregado, lembremos uma vez mais, para qualificar tecnicamente um tipo de música e estética musical produzidas em nossa época, compromissados com o desenvolvimento de uma linguagem específica - pressupõe um saber particular e um instrumental de leitura específicos de seus códigos estéticos e de sua estrutura formal.

    Música Contemporânea, assim, não seria um termo que definiria necessariamente toda a música produzida ao longo do século XX, mas a determinação de uma linguagem com procedimentos composicionais e interpretativos (e, por extensão, também procedimentos apreciativos) próprios e particulares.

    Voltar ao início da página
     
    Created and Edited by Paulo Motta.
    Copyright © 1997-2006 Group of Sonic Arts. All Rights Reserved.
    GAS - Group of Sonic Arts™ is a trademark, and any unauthorized use of the name is a violation of applicable law.
     

    This file may be reproduced for private study or teaching purposes or placed on a Web Server, provided that its origin is always acknowledged and that this notice and the above copyright notice always accompanies it. By the way, I welcome your feedback. You can mail me at pmotta@artnet.com.br.