Oficina de Construção de Instrumentos Musicais Rústicos e Artesanais & Objetos Sonoros

"I am not an instrument-maker, but a philosophical music-man seduced into carpentry." (Harry Partch)

 

Está página está em processo permanente de atualização. Recomenda-se a visita periódica.

 

Sumário


  • Apresentação

Esta Oficina desenvolve dois tipos de atividades: comercialização de instrumentos musicais e atividades didáticas relacionadas à construção e à execução desses intrumentos. As atividades didáticas da destinam-se a ser eventualmente desenvolvidas em Casas de Cultura, Escolas de Música, Escolas Públicas e como Curso de Extensão em Universidades Públicas e Privadas.

Os interessados poderão solicitar maiores informações no endereço eletrônico pmotta@artnet.com.br

Justificativa: Em meio a profusão midiática dos produtos da indústria cultural, torna-se extremamente significativo criar oportunidades para que os indivíduos tenham um espaço no qual se percebam criadores dos seus próprios e eventuais meios de expressão musical.

Objetivos: Capacitar o desenvolvimento da intuição musical através da construção e execução individual e coletiva de instrumentos criados por seus protagonistas. Promover a sociabilização através da prática musical em instrumentos originados do próprio empenho criativo e artesanal de seus construtores. Fundamentar o senso crítico doss participantes no tocante às origens de grande parte da música brasileira, sobretudo aquela música remanescente das culturas do continente africano.

Público-alvo: Crianças a partir dos dez anos de idade, adolescentes, jovens e adultos interessados em desenvolver habilidades artesanais na construção de instrumentos musicais. No caso dos instrumentos de percussão (idiofones) haverá, além da oficina de construção propriamente dita, aulas de inicação musical instrumental para a execução dos mesmos. Obviamente, o desenvolvimento das habilidades de execução dependerão da maior ou menor aptidão musical de cada aluno. Não há necessidade do aluno ter conhecimentos musicais, pois as composições são parte de uma cultura musical de tradição oral; no caso, a música da tradição Shona, do Zimbabwe (para maiores informações ver Introduction to Shona Culture,Mbira and Shona Spirituality e Zimbabwe Music Guide). Além da música deste país, o estudante será estimulado a desenvolver improvisações musicais coletivas (tendo-se como fundamentação a música do Zimbabwe) e, consequentemente, a sua criatividade e o senso de criação musical coletiva.

Agradecimentos: O desenvolvimento deste trabalho apenas se tornou possível 1) em função da generosidade do amigo Mark Burdon, que me enviou, há alguns anos, CDs e livros sobre construção de instrumentos musicais. Este material, além de possibilitar o planejamento dos projetos da Oficina, introduziu-me na riqueza e singularidade da cultura musical do Zimbabwe. 2) E, mais recentemente, pela disponibilização de máquinas de marcenaria por parte do amigo Artur Andriolo, gesto que contribuiu enormemente para a agilização da construção dos instrumentos; assim como também para, sobretudo, tornar mais rápida a preparação das lâminas e barras dos idiofones.

Pauslo Motta, julho de 2007.


 

  • Flautas de Bambu
    • MODELOS (em construção/under construction)
    • OUVIR (amostras sonoras em MP3) (em construção/under construction)
    • AQUISIÇÃO (em construção/under construction)

     

HISTÓRICO

Interessei-me pela confecção de flautas de bambu ainda nos anos 1970. Os primeiros exemplares foram construídos com definições não muito precisas no tocante às medidas e proporções, obviamente necessárias para a obtenção de uma sonoridade e de uma afinação adequadas. Essa primeira fase de construção de flautas caracterizou-se por ser eminentemente experimental e tecnicamente descompromissada, um período no qual os critérios de criação dos instrumentos foram metodicamente anotados tendo em vista uma triagem e avaliação posterior. Como resultado, obtive relações intervalares muito peculiares, o que resultou em escalas muito diferenciadas das escalas tradicionais da música ocidental. Com o passar do tempo, procurei intensificar minhas pesquisas acerca dos princípios técnicos da construção de instrumentos artesanais - sobretudo os que utilizam o bambu como matéria prima - e a comparar essas informações com as que eu havia agrupado anteriormente. Em decorrência desse procedimento, passei a obter resultados relativamente mais satisfatórios, inclusive procurando dar um acabamento mais detalhado aos instrumentos. No entanto, continuei também a produzir instrumentos com as afinações resultantes das anotações realizadas. E, consequentemente, passei a construir duas categorias distintas de flautas: uma primeira categoria que apresenta relações intervalares não convencionais; e uma segunda categoria, que apresenta escalas próprias das várias culturas musicais (sobretudo a indiana, a chinesa, a andina e a japonesa).

Após anos de um afastamento voluntário desse projeto inicial, voltei a fabricar, no mês de julho de 2003, algumas flautas, motivado por uma circunstancial facilidade em obter a matéria prima, ou seja, os colmos (definido como um "caule caracterizado por nós bem marcados e entrenós distintos, peculiar à família das gramíneas, quase sempre fistuloso") de bambo propriamente ditos: próximo à minha residência, parte de um bambuzal foi cortado e muitos colmos foram deixados à revelia pelo chão. Por não estarem ainda maduros, não os recolhi imediatamente, o que possibilitou que os mesmos passassem por um processo parcial (e natural) de secagem. Contudo, antes que isso ocorresse, e para minha tristeza, os bambus foram incendiados. Indo até o local, no entanto, percebi que mais da medade havia se safado daquilo que, para mim, foi, de certa forma, a consumação de um "atentado ecológico" (que, aliás, havia se iniciado com o corte indiscriminado do bambuzal). Providencialmente, o fogo tornou os bambus ainda mais atraentes no tocante ao seu aspecto: a maioria deles, ainda semi-maduros, foram levemente queimados, o que resultou na criação de desenhos bastante delicados na superfície dos colmos (isso os tornou muito parecidos com os tiger bamboos utilizados para a construção das tradicionais flautas japonesas shakuhachi).

Aliás, os primeiros exemplares dessa nova fase da construção de instrumentos foram feitos a partir das características dessas flautas japonesas, evidentemente sem o tradicional formato levemente "torcido" da parte inferior das shakuhachi originais. Posteriormente, passei também a fabricar flautas transversas tendo como modelo as proporções dessas flautas.

O aspecto dessa produção de flautas que mais me fascina é a singularidade de cada exemplar: cada flauta é única em suas características, sejam elas relativas ao formato do colmo, à sua coloração, à extensão dos gomos, ao seu diâmetro etc.; ou em relação aos aspectos sonoros propriamente ditos, tais como o timbre e a freqüência mais grave (ou tônica). Há, no entanto, na maioria dos exemplares, uma mesma relação intervalar, sendo que quase todas as flautas apresentam a escala pentatônica. Como resultado, obtive instrumentos cujas características são exclusivas, no tocante aos aspectos acima citados. Ou seja, pelo fato de serem flautas construídas a partir das medidas e proporções das shakuhachi originais mas, em sua maioria, com a embocadura das flautas transversas, a sonoridade (o timbre) de cada uma delas ganha um colorido muito próprio e particular.

Dediquei-me, então, primordialmente a uma nova fase de fabricação de flautas de bambu, agora com um processo de construção mais detalhado e com a aplicação de medidas e proporções mais precisas do que aquelas que utilizei na primeira fase "experimental" e "descompromissada " de construção desses instrumentos (com uma "intencionalidade" mais "objetivada" que me possibilita obter as escalas previamente desejadas). Os primeiros exemplares, embora excelentes, não atingiram um nível de fabricação compatível com um padrão ideal de comercialização. Foram, então, incorporados à minha coleção particular de instrumentos musicais artesanais e étnicos. Os demais exemplares, tendo atingido o padrão comercial por mim requisitado e considerado compatível com o mercado de instrumentos musicais artesanais, serão disponibilizados para comercialização. O número de flautas será limitado, exatamente pelo fato de não serem construídas em série. Dessa forma, você terá a garantia de que, ao adquirir o seu exemplar, você terá também, em mãos, um instrumento musical com características únicas e singulares.

Paulo Motta

 

MODELOS DE FLAUTAS DE BAMBO (em preparação)

OUVIR (em preparação)

Para informações sobre modelos de falutas disponíveis para venda, clique aqui. (site em construção).


 

Marimbas diatônicas A marimba é um instrumento africano, cujo termo de origem é "Quimbundo", citado desde 1681. O nome marimba deriva da palavra rimba cultura Bantu. Especificamente em Moçambique este último termo designa o nome das teclas de madeira usadas para construir o instrumento. Originalmente, essas teclas são dispostas em uma única fileira, alinhadas sob uma estrutura de madeira e percutidas com baquetas de madeira. Sob cada lâmina há uma cabaça, com uma das extremidades abertas. Cada uma delas atua independentemente como ressonador. A música executada na Marimba é originalmente criada em outro instrumento africano, a Kalimba (ver mais adiante), também da família dos idiofones. Constituída por dezessete lâminas de madeira ou metal fixadas paralelamente numa pequena caixa de madeira ou cabaça, segurada pelo instrumentista com as duas mãos e "pinçadas" com os dedos polegares (Obs.: a Kalimba também faz parte do presente projeto como um dos instrumentos a serem construídos e executados. Ver mais adiante as especificações do instrumento). As marimbas diatônicas construídas na Oficina (acima, à esquerda, protótipo do modelo nº 4, marimba diatônica contralto) apresentam sete modelos básicos (com ressonadores de PVC)* todos fundamentados no instrumento original africano:

1. Marimba diatônica de 3 1/2 oitavas com tubos ressonadores de PVC;
2. Marimba diatônica soprano (C4 a C6) com tubos ressonadores de PVC;
3. Marimba diatônica soprano solo (C4 a G6) com tubos ressonadores de PVC;
4. Marimba diatônica contralto (G3 a D6) com tubos ressonadores de PVC;
5. Marimba diatônica tenor (C3 a E5) com tubos ressonadores de PVC;
6. Marimba diatônica barítono (G2 a E4) com tubos ressonadores de PVC;

7. Marimba diatônica baixo (C2 a D3) com tubos ressonadores de PVC.

* Obs.: Os ressonadores de PVC são preferíveis às caixas ressonadoras - apresentadas nos protótipos da foto à direita. Embora a caixa ressonadora tenha divisões internas para grupos de 3 a 4 teclas, os tubos de PVC são preferíveis devido ao fato de otimizarem as características sonoras do timbre da madeira

Ao lado, protótipo de marimba com caixa ressonadora (Veja, na imagem abaixo, detalhe das teclas.

 

 

 

 

 

 

 

Abaixo, detalhe de um protótipo de marimba com caixa ressonadora. Neste modelo são inseridos pares de arruelas, afixadas na extremidade superior das teclas, com pequenos parafusos. Este recurso altera o timbre original da madeira, acrescentando a este último uma espécie de chiado, característico da mbira. Na verdade, o repertório da marimba nada mais é do que o repertório da mbira, fato que sugere aos construtores de marimba do Zimbabwe tornar o timbre desta última similar àquele instrumento. Nas marimbas construídas com ressonadores de PVC, esse recurso é obtido fazendo-se um orifício na parte inferior do tubo, no qual é inserido uma fina membrana, usualmente de plástico (os plásticos das sacolas de supermercado, amplamente utilizadas no Brasil, apresenta-se como uma ótima opção).

Marimbas cromáticas e marimbas pentatônicas As marimbas cromáticas e pentatônicas têm características semelhentes às diatônicas, diferenciando-se dessas últimas apenas no número de teclas e nas escalas propriamente ditas. Em ambas, no entanto, poder-se-á desenvolver improvisações baseadas nas características da música do Zimbabwe. Sobretudo as marimbas com escala pentatônica são propícias à educação musical infantil, devido à não presença, nesses instrumentos, de semitons, característica que facilita relativamente a execução musical dos mesmos por parte das crianças (preferencialmente na faixa etária dos 7 aos 12 anos).

 

 

 

 

 

 

 

    • Xilofones

O xilofone possui características semelhantes às da marimba, diferenciando-se dessa última apenas pelo número de teclas, pois estas recebem o nome de barras, mais espessas, e em menor quantidade das que ocorrem na marimba. Tal característica - relativa à espessura - faz com que o timbre do instrumento seja mais seco e vigoroso do que o da marimba (cujas lâminas apresentam uma sonoridade aveludada e suave por serem de menor espessura. Esse detalhe técnico da marimba faz com que suas teclas sejam denominadas lâminas, diferenciando-as das teclas do xilofone). O móvel do instrumento pode ser também construído em dois modelos: com caixa ressonadora de madeira ou com ressonadores de PVC ou bambu. Os xilofones construídos na Oficina têm vários tamanhos e quantidades diferenciadas de barras, podendo ser diatônicos, cromáticos ou pentatônicos.

 

      • Balafons

      O balafon é um xilofone originário do Senegal e de Ghana (países do Oeste do continente arficano), e é um instrumento fundamental nas cerimônias oficiais e nos festivais de música daqueles países. No entanto, também ocorre em outras regiões da África, com diferentes denominações e variações estruturais. Geralmente com 18 barras em escala diatônica (cerca de 2 1/2 oitavas) dispostas em uma estrutura de madeira e bambu, o balafon apresenta ressonadores de cabaça (um para cada barra), com dois orifícios: um na parte superior, próximo às barras - para possibilitar a ressonância propriamente dita; e um outro, na lateral, onde é afixada uma fina membrana. Este recurso dá ao balafon o timbre característico dos instrumentos da família do xilofone: ou seja, ao som da barra percurtida ocorre simultanemente um chiado em segundo plano, fazendo com que a sonoridade produzida apresente uma certa "aspereza" timbrística. Para executar o balafon, o instrumentista senta-se de pernas cruzadas no chão diante do intrumento (pois este último tem cerca de quarenta centímetros de altura). O modelo construído na Oficina segue as características originais do balafon senegalense. No entanto, há uma derivação com alguns exemplares que não apresentam o número original de teclas, assim como também as membranas vibratórias nas cabaças, fato que os diferencia do modelo original e do modelo do xilofone descrito no item anterior. Na foto acima, um protótipo do instrumento construído na Oficina, com parte dos ressonadores ainda não instalados. Este modelo apresenta 12 teclas de angelim pedra, madeira brasileria, obviamente não utilizada nos instrumentos originais africanos. Diferentemente dos instrumentos originais , que têm o bambu como material de sustentação do instrumento, este modelo utiliza cabos de enxada de eucalipto, cujas peças são afixadas com cordas de sisal.

       

    • Vidrofones
        • Vidrofone de barras de vidro

Semelhantes às marimbas, diferenciando-se dessas últimas pelo fato das teclas serem de vidro. O móvel do instrumento pode ser construído em dois modelos: com caixa ressonadora de madeira ou com ressonadores de PVC ou bambu. O vidrofone é incorporado à família dos idiofones como uma derivação dos demais instrumentos. Relativamente à marimba e ao xilofone, é de fácil construção, devido ao fato de as teclas não necessitarem nenhum ajuste para as afinações de cada uma delas (como é o caso das teclas de madeira da marimba e do xilofone que, mesmo tendo suas teclas cortadas já nas dimensões especificadas, devem ser cizeladas e abastadas na sua parte inferior). Os modelos são construídos em vários tamanhos e quantidades diferenciadas de teclas, podendo ser diatônicos, cromáticos ou pentatônicos. Com sonoridade aveludada e delicada, o instrumento possibilita uma execução com extrema acuidade dinâmica, o que o torna um dos instrumentos mais atraentes e timbricamente expressivos dentre os idiofones. A foto à esquerda apresenta um protótipo com caixa ressonadora de madeira e com extensão G3 a E6.

       

       

      • Aquafone (vidrofone de garrafas de vidro)

     

    • Metalofones

Semelhantes às marimbas, diferenciando-se dessas últimas pelo fato das teclas serem substituídas por tubos de metal. Como os vidrofones são, relativamente à marimba e ao xilofone, de fácil construção, pois a afinação da dos tubos depende apenas do corte nas dimensões adequadas. O timbre do metalofone varia do tênue ao brilhante e têm a propriedade de terem um release de longa duração, o que faz com que suas notas ressoem prolongadamente. Por esse motivo, não se utiliza, necessariamente, ressonadores para a melhoria de suas potencialidade timbrísticas. Os modelos são construídos em vários tamanhos, espessuras e quantidades de tubos diferenciadas, podendo ser diatônicos, cromáticos ou pentatônicos.

     

    • Sinos Tubulares & Campanas

Os sinos tubulares são metalofones cujas peças são dispostas verticalmente, sustentadas por estruturas metálicas ou de madeira. Percutidos com baquetas de diversos materiais, a sonoridade dos sinos tubulares é de grande expressividade, e as freqüências produzidas ressoam prolongadamente, envolvendo o ouvinte em uma atmosfera única em função de suas singularidades timbrísticas. Na orquestra, o carrilhão de orquestra ou tubular bells são construídos com tubos ocos de aço.

Aquisição: no momento, estes instrumentos encontram-se fora da linha de produção.

     

    • Kalimbas

A Kalimba (instrumento de origem africana), também da família dos idiofones, pode ser construída com caixa ressonadora de cabaça ou de madeira. Constituída originalmente por dezessete lâminas de madeira ou metal fixadas paralelamente numa pequena caixa de madeira ou cabaça e segurada pelo instrumentista com as duas mãos e "pinçadas" com os dedos polegares, a Kalimba também faz parte do presente projeto como um dos instrumentos a serem construídos. Os modelos variam conforme o formato da caixa ressonadora e o número de teclas que pode ser maior ou menor que o instrumento africano original. A música executada nesse instrumento dá origem ao repertório de música para os instrumentos mencionados anteriomente, no tocante às linhas melódicas e ao ritmo.

Aquisição: no momento, estes instrumentos encontram-se fora da linha de produção.

    • Maracás

    A foto ao lado apresenta dois pares de maracás confeccionados na Oficina, construídos a partir do instrumento original denominado Hosho. Esse instrumento, originário do Zimbabwe, é feito com um tipo específico de cabaça, denominada gnarly maranka, na qual são colocadas sementes hota, extrememente duras. Os maracás da Oficina são confeccionados de cabaças tradicionais pequenas e médias. No interior de cada uma delas são colocadas sementes de diversos tipos, dependendo da sonoridade desejada. Originalmente, o instrumento faz par com a kalimba (ou mbira), e é considerado o "coração" dos grupos de marimba e de mbira. Ele tem a função de marcar o ritmo, sustentando a execução das marimbas e das mbiras.

 

 

 

 

    • Kit de teclas, ressonadores, suportes e baquetas

     

 

  • Cordofones (em preparação)
 
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