Togliatti, Gramsci e o fascismo

Marco Mondaini
Especial para *Gramsci e o Brasil*














O primeiro elemento teórico de destaque no pensamento de Togliatti (ainda em fase de maturação, no segundo lustro dos anos vinte) foi, sem sombra de dúvida, o uso, originado pela sua adesão juvenil ao historicismo, da categoria de “análise diferenciada”. Utilizada, grosso modo, durante toda a sua vida intelectual e política (excluídos os períodos mais sombrios de asfixia stalinista, como veremos mais à frente), a “análise diferenciada” constituiu condição sine qua non para o “reconhecimento da especificidade nacional italiana”. Nas palavras de Giuseppe Vacca:
O campo teórico no qual se inscreve o reconhecimento nacional é, por isso, definido por uma contemporaneidade bem precisa [...] uma contemporaneidade diferenciada e medida pelas desigualdades de desenvolvimento das forças produtivas, que se resume sinteticamente nas características nacionais das suas particularidades e diversidades [1].
Considerada por Ernesto Ragionieri como “a mais profunda e convincente interpretação até hoje dada do fascismo italiano”, as Lições sobre o fascismo, de janeiro-abril de 1935, são, inquestionavelmente, o momento maior de “análise diferenciada” levada a cabo por Togliatti até então [2]. De fato, o texto, descoberto em 1970 pelo próprio Ragionieri, supera em muito a fórmula dada por Stalin durante o XIII Plenum da IC, em novembro de 1933, e que seria retomada por Dimitrov em seu relatório ao VII Congresso do Komintern, de julho-agosto de 1935. O fascismo, na definição togliattiana, não é apenas uma ditadura aberta (em novembro de 1933, Stalin disse que “o fascismo é uma ditadura terrorista aberta dos elementos mais reacionários, mais chauvinistas e agressivos do capital financeiro”), mas também um regime reacionário de massas [3]. Togliatti percebeu que, ao fascismo, não bastava mais apenas desorganizar as massas na base da violência, mas também fazer uma política de massas - daí a construção do Partido Nacional Fascista como “partido de novo tipo” da burguesia, um partido de massas [4].
Uma análise rigorosa do ensaio togliattiano parece, ademais, dar razão à hipótese formulada pelo historiador Aldo Agosti de que “Togliatti se aproxima da reflexão - por ele ainda desconhecida - que Gramsci desenvolveu nos Cadernos do cárcere”. Isto, por um lado, ao apontar que o fascismo não é apenas “imposição de coerção”, mas também “obtenção de consenso”, e, por outro, ao preocupar-se com a relação estabelecida entre o Estado fascista e as organizações de massa (da sociedade civil) criadas e/ou aparelhadas por ele [5].
Não obstante as simplificações presentes nas Lições (“É claro que não se pode contrapor a democracia burguesa à ditadura. Toda democracia é uma ditadura” [6]; “Como linha fundamental [da ideologia fascista], permanece: nacionalismo exasperado e analogia com a socialdemocracia” [7]), Togliatti raciocina no sentido de mostrar as formas pelas quais “a ditadura fascista [...] se esforça em ter um movimento de massas, organizando a burguesia e a pequena burguesia” [8], ou pelas quais “o fascismo faz [...] um grandíssimo esforço para levar as massas às suas organizações, para tê-las ligadas ao aparelho da ditadura” [9]. E, nesse contexto, indica nos sindicatos e nas instituições do dopolavoro as principais organizações de massas às quais a ditadura fascista tenta impor um caráter reacionário.
E é precisamente neste ponto que descobrimos o primeiro rastro de um Togliatti defensor daquela estratégia que Gramsci viria a chamar de “guerra de posições”, de “luta por hegemonia nas trincheiras da sociedade civil” [11]. Criticando as teses da juventude comunista de “sair dos sindicatos e do dopolavoro” e de “entrar nos sindicatos e no dopolavoro a fim de destruí-los”, Togliatti afirma que “o nosso dever é entrar nestas organizações e aí organizar a luta pelos nossos princípios” [12]; e mais, “nós devemos nos prender às reivindicações próprias do dopolavoro, de caráter esportivo, cultural, etc., e aos motivos democráticos” [13].
Estava, assim, superada definitivamente a “longa noite do socialfascismo”, iniciada menos pelo VI Congresso da Internacional Comunista, em julho de 1928, do que pelo seu X Plenum ampliado, um ano depois. Uma concepção que traz em si muito do raciocínio político de Stalin, “não apenas na sua intolerância, mas no seu desprezo absoluto das distinções necessárias entre as formas políticas em que se exprime um domínio de classe”. Desta forma, o líder soviético “acabou colocando no mesmo plano qualitativo, moral e até de classe, por um lado, qualquer regime democrático-burguês e, por outro, um regime de tipo fascista, desvalorizando, assim, as diversas repercussões políticas e sociais que originam” [14].
No decorrer do X Plenum, o então Partido Comunista da Itália foi submetido a uma autêntica saraivada de críticas, que levou o seu grupo dirigente - o qual tinha obtido sua grande vitória sobre as teses maximalistas advogadas por Amadeo Bordiga, no III Congresso do PCd’I, em janeiro de 1926, em Lyon [15] - ao abandono do difícil trabalho político levado a cabo durante os anos de 1923-1924, passando a se orientar pelas novas diretrizes kominternistas [16]. Paolo Spriano sintetizou o duplo equívoco gerado no interior do PCd’I pelas críticas soviéticas de julho de 1929:
1. considerar a situação tão radicalizada a ponto de colocar na ordem do dia uma revolução proletária na Itália; 2. considerar a socialdemocracia em geral, mas também o socialismo italiano, composto então por um grupo de emigrados e por um pequeno grupo interno, como socialfascismo; não apenas inimigo, mas segundo a teorização da época, inimigo ainda mais perigoso que o fascismo [17].
Ernesto Ragionieri, diferentemente de Spriano, defendeu a tese de que os italianos, e especialmente Togliatti, recusaram-se a aplicar a fórmula do socialfascismo, recuando tão-somente a fim de não correr o risco de sofrer uma intervenção “do alto”, que jogasse fora o árduo esforço realizado desde 1923.
As reações de Ruggero Grieco (“Camarada Manuilski [...], vocês trabalharam muito para distanciar-nos de Bordiga; mas nem vocês nem ninguém me farão voltar ao bordiguismo” [18]) e de Togliatti (“[...] É correto ou não pôr estes problemas nas discussões com os camaradas no centro do partido? Se o Komintern diz que não é correto, nós não o faremos mais; cada um de nós pensará estas coisas e não mais falará delas; dir-se-á somente que a revolução antifascista será uma revolução proletária. Mas cada um de nós pensará que não é absolutamente certo que teremos a sua direção desde o primeiro momento e que só poderemos conquistá-la no curso da luta” [19]), durante os duros debates travados no decorrer do X Plenum, legitimam, em parte, o raciocínio de Ragionieri:
A luta contra o fascismo e a participação no debate sobre a natureza do fascismo dentro da Internacional Comunista foram o sinal mais preciso daquela continuidade de inspiração. Na sua intervenção durante o X Plenum, Grieco, acenando às características específicas do fascismo italiano, tinha chamado a atenção sobre a necessidade de o fascismo criar para si uma base de massa e, trazendo mais uma vez à luz um trabalho desenvolvido com intensidade pelo partido italiano nos anos precedentes, tinha feito deste atributo um dos sinais distintivos do fascismo italiano, não passível de confusão com outra forma de reação ou ditadura. Foi a este elemento que o partido italiano não renunciou nunca, nem para determinar a própria ação na Itália nem para avaliar a situação na Europa. Deste ponto de vista, a política da svolta, mesmo com todo o seu suporte ideológico de previsões relativas a imediatos acontecimentos revolucionários, ou com a imposição à Itália de palavras de ordem tomadas de empréstimo a uma análise generalizante ou derivadas de orientações políticas da Internacional Comunista elaboradas para outros países, não constituiu uma interrupção daquela linha, mas, antes, o seu aprofundamento. Através de um caminho denso e complexo, percorrido entre o X Plenum e o VII Congresso da Internacional Comunista, ela devia levar não só à reafirmação da interpretação do fascismo como ditadura de classe e, ao mesmo tempo, como regime reacionário de massas, mas também ao desenvolvimento, em condições diversas daquelas enfrentadas por outro qualquer partido comunista, daquela linha de massas que constitui o autêntico traço de originalidade e continuidade na história do PCI [20].”
Porém, se é inegável que Togliatti aceita a svolta de 1929/30, alinhando-se aos jovens radicais Pietro Secchia e Luigi Longo e dando forma ao novo grupo dirigente oficializado no IV Congresso do PCd’I (realizado em abril de 1931, em Colônia, na Alemanha), também é inquestionável que ele sofre essa svolta, abrindo mão dos elementos mais avançados contidos na linha do Congresso de Lyon [21]. E mais, os juízos emitidos por Togliatti, no início dos anos trinta, contra movimentos e partidos políticos explicitamente antifascistas, como Giustizia e Libertà (“Dezoito intelectuais socialfascistas de Giustizia e Libertà [...] foram postos em liberdade durante a fase de instrução do processo [...] Alguns, como Ferruccio Parri, Gentili, Raffaele Cantoni, estavam entre os principais acusados”) e o Partido Socialista (“os democratas e os socialdemocratas são uns traidores [...] Amanhã, eles marcharão com os fascistas ou estarão a postos para massacrar os operários revolucionários”) tornam insustentável a tese da sua não-adesão à teoria do socialfascismo [22].
Neste período, o método togliattiano da “análise diferenciada” foi abalado fortemente no que diz respeito à sua eficácia como instrumento de análise do real. Polemizando abertamente com Trotski, na intervenção durante o XII Plenum da IC (agosto-setembro de 1932), intitulada “Contra as falsas analogias entre a situação alemã e a situação italiana”, Togliatti afirma que “esta idealização da linha de desenvolvimento do fascismo italiano é a fonte de todas as falsas analogias entre a situação alemã atual e a situação italiana de 1922” (isto, apenas cinco meses antes da ascensão de Hitler ao poder, no final de janeiro de 1933!) e mostra todo o retrocesso sofrido em sua capacidade de observação do mundo político, ao dizer que “a essência do regime atual na Alemanha (é) o caráter de ditadura fascista, mas ainda sem ser ditadura fascista ‘clássica’, perfeita” [23].
Quanta diferença em relação àquele Togliatti alinhado com Bukharin, no conflito travado com Stalin desde antes do VI Congresso da IC! Mais precisamente no início de agosto de 1928, Togliatti publica na revista teórica kominterniana o seu estudo mais brilhante sobre o fascismo até então. Trata-se de uma reflexão que seria congelada forçosamente por sete anos e meio, até a retomada fértil de janeiro/abril de 1935 - “A propósito do fascismo” [24].
Neste texto, Togliatti elenca os quatro elementos constituintes da ideologia fascista, constatando como sua finalidade a edificação de um “Estado totalitário-corporativo”, aniquilador de todo e qualquer direito civil ou político, de toda e qualquer liberdade individual ou social:
1. O Estado deve ser o fator determinante de toda a vida social, nos seus aspectos mais diversos; 2. O cidadão não tem direitos (os chamados direitos naturais do século XVIII) a reivindicar diante do Estado, porque a origem de cada direito está no próprio Estado e não na consciência do indivíduo; 3. O Estado é um organismo que está acima das classes, as quais, enquanto existirem, serão todas consideradas e tratadas no mesmo plano; 4. A luta de classes será reabsorvida, sob a direção do Estado, em uma organização no seio da qual os diversos fatores da produção (proletários, semiproletários e burgueses) colaborarão direta e organicamente com o objetivo de procurar a melhor ordem a ser dada à produção e o sistema mais equilibrado de distribuição dos produtos. Esta organização é o Estado corporativo [25].
E, mais adiante, resumirá as idéias do fascismo, dizendo que estas correspondem :
[...] lógica e perfeitamente à realidade, quando proclamam o predomínio absoluto e incontestado do Estado, quando anunciam a supressão de toda liberdade, ainda que meramente formal, e a fazem desaparecer de todo o sistema de direitos individuais e coletivos. Esta ideologia é o coroamento lógico da ditadura da burguesia [26].
Retomando o fio da meada, é verossímil formular a hipótese pela qual Togliatti tenha compreendido que, “somente evitando uma ruptura aberta” com o Komintern, seria possível ao grupo dirigente saído de Lyon “manter de algum modo viva a continuidade de inspiração que o guiou na luta contra o fascismo” [27]. É já clássico o relato de Angelo Tasca, em novembro de 1929, recém-expulso do partido, sobre a confidência togliattiana a “um camarada membro da Secretaria do PCd’I”: “Nós devemos ceder nas questões russas e internacionais, para salvar a política italiana do nosso partido. Senão, Moscou não terá nenhum escrúpulo em combinar uma direção de esquerda com qualquer garoto da Escola leninista. Isto levaria à ruína do nosso trabalho de muitos anos [28].” Mas não é menos lógico concluir que as intenções togliattianas reduziram-se à necessidade de manter-se fisicamente na direção comunista italiana, à espera de um momento mais propenso à “análise diferenciada”, mesmo que fosse necessário - como foi na realidade - empurrá-la para “debaixo do tapete” ou deformá-la por algum tempo.
Nesse contexto, Massimo Salvadori parece ter desvelado uma parte da realidade deste totus politicus - conhecida sentença de Benedetto Croce acerca de Togliatti:
[...] uma forte personalidade, que reconhece no conformismo o pressuposto vital do comunismo internacional e que orienta a própria ação segundo uma ‘ética da responsabilidade’ staliniano-internacionalista [29].
Será apoiado firmemente nesta “ética da responsabilidade” (Max Weber) que Togliatti participará da “limpeza” promovida pelos svoltistas no interior do PCd’I, entre 1929 e 1931: depois do direitista Tasca, foram expulsos do partido o esquerdista Amadeo Bordiga, acusado de prestar solidariedade a Trotski; “os três”, que se opuseram ao projeto de Longo de “orientar todo o trabalho do partido para o retorno à Itália” - Alfonso Leonetti, Paolo Ravazzoli e Pietro Tresso -; e, por fim, o escritor Ignazio Silone, mentor intelectual destes últimos.
Tal situação não tardará a contar com a oposição diferenciada de dois ilustres comunistas encarcerados - oposição decidida e aberta, desde o início, de Umberto Terracini e mais cautelosa e progressiva de Antonio Gramsci -, descontentes, entre outras coisas, com a teoria do “socialfascismo” e com a substituição das palavras de ordem da “assembléia constituinte” e da “revolução antifascista” pela de “revolução proletária” [30].
A propósito, parece-nos fértil finalizar esta digressão, detendo-nos por alguns momentos nas indicações esparsas do Gramsci pré-cárcere sobre o fascismo. Isto, a fim de clarear não apenas a sua futura atitude não totalmente explícita em face do “socialfascismo” (talvez originada da sua percepção, entre 1920 e 1926, do Partido Socialista como “partido pseudoproletário” e, nos momentos de maior polêmica, até como “ala esquerda da burguesia” [31]), mas também sua possível influência sobre a interpretação togliattiana de 1935 sobre o fascismo.
Carlos Nelson Coutinho sublinhou a novidade conceitual e o limite “histórico-ontológico” da análise gramsciana do fascismo: por um lado, a visualização da base de massa pequeno-burguesa do movimento fascista e, por outro, a não-percepção completa do caráter abertamente ditatorial assumido pelo regime fascista [32]. Caberia a Palmiro Togliatti - como foi visto acima - o trabalho singular de sistematizar a reflexão sobre o fascismo, reunindo o elemento movimento e o elemento regime [33].
Na verdade, o pensamento gramsciano sobre o fascismo vai se saturando de determinações pari passu com o desenvolvimento histórico, entre 1920 e 1926. Assim, em novembro de 1920, aponta o fascismo como um fenômeno não somente italiano [34]; em julho de 1921, fala da massa dos filiados pequeno-burgueses do Partido Socialista, que poderão aderir ao fascismo [35]; em setembro 1924, indica que “o fato característico do fascismo consiste em ter conseguido constituir uma organização de massa da pequena burguesia” [36]; em novembro do mesmo ano, reflete acerca da alternância pendular da burguesia entre democracia e ditadura fascista [37]; em maio de 1925, percebe a ocupação do Estado italiano (da burocracia do Estado) com indivíduos trazidos das fileiras da pequena-burguesia fascista [38].
Em outras palavras, o desenvolvimento da percepção gramsciana da “diversidade do fascismo em relação aos tradicionais partidos democráticos” - que escapava a muitos dirigentes comunistas italianos - dá saltos de qualidade após a “marcha sobre Roma”, em 28 de outubro de 1922, e o “delito Matteotti”, em 10 de junho de 1924 [39]. No entanto, foi interrompido bruscamente pela sua prisão em 8 de novembro de 1926, uma semana após o acontecimento que levaria o fascismo a enterrar definitivamente a democracia na Itália, a saber, o atentado contra Benito Mussolini, em 31 de outubro.
Por outro lado, a discordância gramsciana em relação às teorias do “socialfascismo” e de “classe contra classe” (mais enfática no segundo caso do que no primeiro), na passagem dos anos vinte para os anos trinta, explicitada na sua proposta de “luta por um período democrático intermediário baseado num bloco antifascista”, já se encontra esboçada nos seus escritos “pós-crise Matteotti”, onde diz que “a situação política é democrática” e não de “luta direta pelo poder”.

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Marco Mondaini é professor de História da UFF.
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Notas

[1] VACCA, Giuseppe. Saggio su Togliatti e la tradizione comunista. Bari, De Donato, 1974, p. 163. Aldo Agosti localiza em “Le basi sociali del fascismo”, de maio de 1926, o primeiro ensaio togliattiano de “análise diferenciada”. Ver: Togliatti. Turim, Utet, 1996, p. 90-3.

[2] RAGIONIERI, Ernesto. “Il giudizio sul fascismo. La lotta contro il fascismo. I rapporti con l’Internazionale comunista”. In: SPRIANO, Paolo (e outros). Problemi di storia del Partito Comunista Italiano. Roma, Riuniti, 1971, p. 46-7.

[3] RAGIONIERI, Ernesto. “Le lezioni sul fascismo”. In: Palmiro Togliatti. Roma, Riuniti, 1976, p. 742-3.

[4] VACCA, Giuseppe. Saggio su Togliatti..., cit., p. 231.

[5] AGOSTI, Aldo. Togliatti , cit., p. 185-91. A problemática da relação entre “coerção” e “consenso”, bem como entre “Estado” (“sociedade política”) e “sociedade civil”, pode ser vista em: GRAMSCI, Antonio. Cadernos do cárcere. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2000, v. 2, p. 20-1; e também na carta de 7 de setembro de 1931 escrita à cunhada Tatiana Schucht. In: GRAMSCI, Antonio. Cartas do cárcere. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1991, p. 222-5. O único texto gramsciano pré-carcerário, que vislumbra as questões tratadas no cárcere e que Togliatti conheceu, é “Alguns temas da questão meridional”, escrito no final de setembro de 1926 e deixado incompleto devido à prisão do autor em 8 de novembro. Este ensaio foi publicado pela primeira vez, em janeiro de 1930, por Lo Stato operaio - revista do PCd’I fundada em fevereiro de 1927 e dirigida pelo centro externo do partido, em Paris. Ver: GRAMSCI, Antonio. “Alguns temas da questão meridional”. In: A questão meridional. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987, p. 135-65.

[6] TOGLIATTI, Palmiro. “Lezioni sul fascismo”. In: Opere Scelte. Org. Gianpasquale Santomassimo. Roma, Riuniti, 1974, p. 109. [Ed. bras.: Lições sobre o fascismo. São Paulo, Liv. Ed. Ciências Humanas, 1978.]

[7] Ib., p. 115.

[8] Ib., p. 111.

[9] Ib., p. 129.

[10] Ib., lições 5 e 6.

[11] Sobre os conceitos de “guerra de posição” e “guerra de movimento”, bem como sobre a noção de “sociedade civil como sistema de trincheiras na guerra moderna”, ver: GRAMSCI, Antonio. Cadernos do cárcere. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2000, v. 3, p. 73 e 261-2.

[12] TOGLIATTI, Palmiro. “Lezioni sul fascismo”, cit., p. 176.

[13] Ib., p. 177.

[14] SPRIANO, Paolo. Intervista sulla storia del PCI. Bari, Laterza, 1979, p. 57.

[15] Ver a respeito: GRAMSCI, Antonio. “Informe sobre o III Congresso (Lyon) do Partido Comunista Italiano”. In: A questão meridional, cit., p. 109-34.

[16] Ver a respeito: TOGLIATTI, Palmiro. La formazione del gruppo dirigente del Partito Comunista Italiano nel 1923-1924. Roma, Riuniti, 1984.

[17] SPRIANO, Paolo. Intervista sulla storia del PCI, cit., p. 68.

[18] Citado em: RAGIONIERI, Ernesto. “Il giudizio sul fascismo. La lotta contro il fascismo. I rapporti con l’Internazionale Comunista”. In: SPRIANO, Paolo (e outros). Problemi di storia del Partito Comunista Italiano, cit., p 40.

[19] Citado em: Ib., p. 42.

[20] RAGIONIERI, Ernesto. “Togliatti, Grieco e Di Vittorio alla comissione italiana del X Plenum della IC”. In: Palmiro Togliatti, cit., p. 719-20.

[21] BOCCA, Giorgio. Palmiro Togliatti. Milão, Mondadori, 1991, p. 198.
[22] Citados em: Ib., p. 200-1.

[23] TOGLIATTI, Palmiro. “Contra las falsas analogias entre la situacion alemana y la situacion italiana”. In: Escritos políticos. México, Ed. Era, 1971, p. 294 e p. 296.

[24] Ver In: TOGLIATTI, Palmiro. Opere Scelte, cit., p. 59-76.

[25] Ib., p. 71-2.

[26] Ib., p. 75.

[27] AGOSTI, Aldo. Togliatti, cit., p. 128.

[28] Citado em: Ib.

[29] Citado em: Ib., p. 129.

[30] Embora fuja do horizonte estabelecido previamente pela nossa pesquisa, não podemos deixar de assinalar os resultados das últimas investigações de Paolo Spriano, que demonstraram, com forte embasamento em fontes documentais, a falsidade das teses sobre a “ruptura” entre Gramsci e o PCd’I, sobre a sua “expulsão” do partido e sobre um pretenso desinteresse da parte do grupo dirigente comunista pela sua sorte. Tudo isto, não obstante o dissenso político gramsciano em relação à linha política empreendida pelos comunistas italianos após a svolta de 1929/30. Ver, a respeito: Gramsci in carcere e il partito. Roma, Ed. L’unità, 1988; e L’ultima ricerca di Paolo Spriano. Roma, Ed. L’Unità, 1988. Ver também: VACCA, Giuseppe. “Gramsci 1926-1937: la linea d’ombra nei rapporti con il Komintern e il partito”. In: Togliatti sconosciuto. Roma, Ed. L’Unità, 1994, p. 13-59. Contrariamente, dois exemplos da mais absoluta falta de seriedade intelectual no trato das relações entre Gramsci, Togliatti e o PC da Itália podem ser encontrados em: LEHNER, Giancarlo. Palmiro Togliatti. biografia di un vero stalinista. Milão, Sugarco, 1991; MACCIOCCHI, Maria Antonieta. A favor de Gramsci. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1976. Não seria exagerado afirmar que estes trabalhos são dignos representantes de uma espécie de “ficção científica política”.

[31] Ver: SPRIANO, Paolo. Gramsci in carcere e il partito., cit., p. 50. Para a diferença de posições entre Gramsci e Terracini em relação à svolta de 1929/30, e a falta de ênfase gramsciana na crítica ao “socialfascismo”, ver p. 47-58.
[32] Sobre a distinção entre “dimensão gnosiológica” (“referente ao nível maior ou menor de abstração conceitual no qual se situa o pesquisador para analisar o seu objeto”) e “dimensão histórico-conceitual” (“que se refere ao grau maior ou menor de complexificação - de concretização - da própria realidade objetiva com a qual o pesquisador se depara”, ver: COUTINHO, Carlos Nelson. “A dualidade de poderes: Estado e revolução no pensamento marxista”. In: Marxismo e política. São Paulo, Cortez, 1994, p. 14-5.

[33] COUTINHO, Carlos Nelson. Gramsci. um estudo sobre seu pensmento político. Rio de Janeiro, Campus, 1989, p. 28-9.

[34] Citado em: KONDER, Leandro. Introdução ao fascismo. Rio de Janeiro, Graal, 1979, p. 35.

[35] GRAMSCI, Antonio. “La struttura del fascismo”. In: Per la verità. scritti 1913-1926. Org. Renzo Martinelli. Roma, Riuniti, 1974, p. 186.

[36] GRAMSCI. Antonio. “A crise italiana”. In: A questão meridional. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987, p. 100.

[37] GRAMSCI, Antonio. “Democrazia e fascismo”. In: Per la verità. scritti 1913-1926, cit., p. 292-8.

[38] GRAMSCI, Antonio. “La conquista fascista dello Stato”. In: Ib., p. 304.
[39] FIORI, Giuseppe. Vita di Antonio Gramsci. Bari, Laterza, 1995, p. 185-6.