De 13 a 16 de maio de 1998, realizou-se em Paris, na nova Biblioteca Nacional da França (a sessão de encerramento foi no anfiteatro da Sorbonne) um Encontro Internacional promovido por Espaces Marx (organização cujo endereço daremos mais adiante)e dedicado ao sesquicentenário do famoso Manifesto Comunista, de Marx e Engels.
           O sucesso do encontro ultrapassou as expectativas mais otimistas de seus organizadores. Ao todo, participaram, ou ao menos chegaram a estar presentes a algum momento do evento, cerca de 1500 pessoas, entre as quais 520 vinham de 60 outros países que não a França. Foram apresentados 349 textos escritos, reproduzidos em 11 volumes que eram vendidos no conjunto por 40 reais (200 francos). 280 pessoas expuseram seus pontos de vista em 30 "workshops", oito sessões plenárias e duas mesas redondas realizadas no encerramento.
           Os franceses, como era natural, tiveram a bancada mais numerosa, seguidos pelos norte-americanos e em terceiro lugar vínhamos nós, os brasileiros. O encontro proporcionou uma oportunidade preciosa para conversas e contatos pessoais com pesquisadores e teóricos do porte do historiador inglês Eric Hobsbawm, dos cientistas sociais norte-americanos Immanuel Wallerstein e James Petras, dos franceses Maurice Godelier, Lucien Seve, Georges Labica, Daniel Bensaid e Jean-Yves Calvez, dos russos Roy Mevediev e Boris Kagarlitsky, dos italianos Costanzo Preve, Domenico Losurdo, Mario Manacorda, Rossana Rossanda e Luciana Castellina, do argentino Attilio Boron, do senegalês Semou Pathe Gueye, do mexicano Pablo Gonzalez Casanova, do egípcio Samir Amin ou da alemã Frigga Haug.
           Na sessão plenária de que participei, a maior surpresa foi proporcionada pela intervenção do norte-americano Bertell Ollman, que pediu licença, levantou-se da mesa, deslocou-se para um espaço vazio do palco e exibiu uma bizarra coreografia, por ele intitulada a "dança da dialética".
           As exposições, como era previsível, foram irregulares. Algumas finas e espirituosas (como a de Hobsbawm), outras chatas. Algumas densas e profundas (como a de Costanzo Preve), outras ralas e superficiais. Do ponto de vista do conteúdo, as posições assumidas pelos expositores manifestaram as normais divergências, alguns fazendo severas restrições à perspectiva do Manifesto, outros sublinhando a vitalidade e os imensos méritos do documento.
           Os brasileiros, com o apoio de Michael Löwy - pensador brasileiro há muitas décadas radicado na França - tiveram participação bastante significativa no encontro. Estiveram presentes, entre outros, veteranos ativistas políticos como Apolonio de Carvalho e Jacob Gorender, o deputado federal Milton Temer, os sindicalistas Vito Gianotti e Vicentinho de Paula, e os professores Carlos Nelson Coutinho, Virginia Fontes, Leo Lynce, Marco Aurélio Garcia, Tullo Vigevani e Ricardo Antunes, além de numerosos estudantes.
           No final do encontro, foi aprovada uma conclamação a todos no sentido de se articularem com a organização Espaces Marx, dirigida por Patrice Cohen-Seat (64, Bcd. Auguste-Blanqui, 75013, Paris, e-mail: manifeste@internatif.org), para um movimento que poderá resultar no embrião de uma organização internacional para o intercâmbio de idéias e informações.