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O II Encontro-Congresso da
International Gramsci Society - IGS
Entre 19 e 21 de setembro de 2001 aconteceu no Rio de Janeiro o II
Encontro-Congresso da International Gramsci Society, em torno do tema "Ler Gramsci,
entender a realidade". A iniciativa, sob a coordenação científica de Carlos Nelson Coutinho,
foi organizada por Andrea de Paula Teixeira e sediada pela Escola de Serviço Social da
Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Tomaram parte nos trabalhos inscritos provenientes da Argentina, Austrália, Brasil, Cuba,
Alemanha, Japão, Itália, México, Holanda, Reino Unido, Romênia, Espanha, Estados Unidos. A
estes mesmos trabalhos assistiram uma centena de estudiosos (metade dos quais, brasileiros) e,
através de vídeo, numa sala adjacente, uma centena de professores e estudantes brasileiros.
Motivos logísticos e organizativos levaram a que não se pudesse aceitar o pedido de participação
de centenas de professores brasileiros.
Os trabalhos foram abertos por Joseph Buttigieg, secretário da IGS, que também se deteve
nos recentes e trágicos acontecimentos de Nova Iorque (devido aos quais alguns relatores não
puderam chegar ao Brasil, em função da desordem do tráfego aéreo), interrogando-se sobre os
atuais perigos do recurso ao uso da força, não em alternativa, mas acompanhado de um notável
consenso. A sessão inaugural foi completada pelas intervenções de Carlos Nelson Coutinho e de
Giorgio Baratta (dois vice-presidentes de saída), que exploraram variados aspectos da
persistente e consolidada presença de Gramsci na cultura contemporânea.
Seguiram-se quatro sessões plenárias: "Hegemonia e contra-hegemonia no início do novo
milênio" (relatores: Daniel Campione, Dante Germino, Dora Kanoussi e Jeremy Lester);
"Americanismo e fordismo hoje" (relatores: Alastair Davidson, Kathleen Weekley, Roberto
Finelli, Sabine Kebir e Luiz Werneck Vianna); "Sociedade civil e Estado na era da globalização"
(relatores: Guido Liguori, Rita Medici, Marco Aurélio Nogueira e Giovanni Semeraro);
"Gramsci no mundo de hoje" (relatores: Francisco Fernández Buey, Isabel Monal, Koishi Ohara,
Ivete Simionatto, Gheorge Stoica).
Às sessões plenárias se acrescentaram quatro seminários: "Educação e sociedade" (coordenado
por Lúcia Neves), "Questões de hoje à luz de Gramsci" (coordenado por Yves Lesbaupin),
"O marxismo de Gramsci" (coordenado por Alberto Aggio) e "Edições e traduções" (coordenado por
Luiz Sérgio Henriques). Intervieram nas plenárias e nos seminários, entre outros, José Mario
Angeli, Derek Boothman, Andrea de Paula Teixeira, Marcos del Roio, Rosemary Dore Soares,
Antonino Infranca, Antonio Carlos Maximo, Marco Mondaini, Cristina Ortega.
É impossível sintetizar os temas e os ângulos interpretativos surgidos no curso de um
debate tão amplo e incisivo (cada texto dos relatores foi debatido, com intervenções e perguntas
por parte do público). Aqui se pode apenas dizer que surgiram, várias vezes, dois "estados
de espírito": um, mais analítico e teórico, outro, mais militante e diretamente político.
Embora sublinhando que a IGS não é nem quer ser uma organização diretamente política, Carlos
Nelson Coutinho, ao concluir os trabalhos, tentou sintetizar estas duas "faces", que foram
próprias também de Gramsci, corrigindo idealmente, a posteriori, o título do encontro:
Ler Gramsci, entender a realidade, para mudá-la.
No âmbito dos trabalhos do encontro, também se desenrolou o II Congresso Internacional da
IGS. Decidiu-se não eleger uma nova presidência, mas uma ampla coordenação representativa das
diferentes áreas geoculturais, com a tarefa de auxiliar Joseph Buttigieg (reconduzido ao posto
de secretário). Da coordenação fazem parte Giorgio Baratta, Daniel Campione, Carlos Nelson
Coutinho, Francisco Fernández Buey, Luiz Sérgio Henriques, Dora Kanoussi, Sabine Kebir, Jeremy
Lester, Guido Liguori, Hiroshi Matsuda, Koishi Ohara, Gheorghe Stoica. Os objetivos indicados
como prioritários, daqui até o próximo encontro-congresso (previsto para 2007), são o
conhecimento e a instauração de relações duradouras com realidades nas quais, hoje, Gramsci é
lido e estudado, mas que continuam ainda pouco conhecidas (em primeiro lugar, a Índia).
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