No segundo semestre de 2004, o prof. Lincoln Secco, do Departamento de História da USP, ministra o curso sobre "Gramsci e os fundamentos econômicos da idéia de revolução". Entre os objetivos, está o de apresentar Gramsci como pensador das questões econômicas e políticas de seu tempo, a partir de uma leitura original de Marx.
Para estimular iniciativas análogas na universidade brasileira, reproduzimos a ementa do curso bem como a bibliografia proposta:
Antonio Gramsci é reconhecido habitualmente como o teórico das superestruturas. A historiografia dos Annales e o próprio marxismo no século XX deslocaram a história política para um segundo plano. Mas, se Gramsci manteve a centralidade categorial da hegemonia (e, portanto, da política), ele, todavia, esteve longe de ser um mero analista da política. Seus conceitos fundamentais nasceram de uma visão global dos mecanismos de funcionamento e crise do modo de produção capitalista e tentaram delimitar as bases materiais de uma revolução no Ocidente.
O curso se distribui em três unidades:
Antes da revolução: modo de produção e conflitos sociais; Estado e excedente econômico; crises econômicas
A revolução em marcha: anos de formação de Antonio Gramsci; conselhos de fábrica e Revolução Russa; hegemonia e debate soviético nos anos 20; fascismo - bases sociais e econômicas
A revolução derrotada: revolução passiva; mundo do trabalho em crise; Gramsci e a experiência econômica socialista; Gramsci e o marxismo ocidental.

Bibliografia

Existem milhares de títulos sobre Gramsci contados na Bibliografia gramsciana de John Cammett. Por isso, além dos livros abaixo listados, o aluno deverá fazer uma pesquisa própria para compreender os conceitos fundamentais de Gramsci. Quanto às obras gramscianas, recomenda-se a edição crítica de Valentino Gerratana, até hoje a melhor. Em português, recomenda-se a nova edição dirigida por Carlos Nelson Coutinho, Marco Aurélio Nogueira e Luiz Sérgio Henriques.

Anderson, Perry. "As antinomias de Gramsci". In: Vários autores. A
estratégia revolucionária na atualidade. São Paulo: Joruês, 1986.
Bobbio, N. Ensaios sobre Gramsci. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
Bobbio, N. Profilo ideologico del novecento. Milão: Garzanti, 1990.
Bucci-Glucksmann, C. Gramsci e o Estado. Rio de Janeiro: Paz e Terra,
1980.
Coutinho, C. N. Gramsci. Porto Alegre: LPM, 1981.
Fiori, G. A vida de Antonio Gramsci. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.
Gramsci, Antonio. A questão meridional. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
_________. Conselhos de fábrica. São Paulo: Brasiliense, 1981.
_________. Cartas do cárcere. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966.
_________. Quaderni del carcere. Turim: Einaudi, 1977, 4 v.
Grisoni, Dominique e Maggiori, Robert. Lire Gramsci. Paris: Éditions
Universitaires, 1973.
Gruppi, L. Conceito de hegemonia em Gramsci. Rio de Janeiro: Graal,
2000.
Hobsbawm, E. Revolucionários. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.
Hobsbawm, Eric (Org.). História do Marxismo. Rio de Janeiro: Paz e Terra,
1987, 12 v.
Kanoussi, Dora (Org.). Gramsci en América. II Conferencia Internacional
de Estudios Gramscianos. México, D.F.: Plaza y Valdés, 2000.
Kurz, R. O colapso da modernização. Rio: Paz e Terra, 1992.
Marx, K. Oeuvres. Économie. Org. por Maximilien Rubel. Paris: Gallimard,
1965 (Bibliothèque de la Pléiade).
Mattick, Paul. Anti-bolshevik communism. Londres: Merlin Press, 1978.
Portelli, H. Gramsci e o bloco histórico. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.
Secco, L. Gramsci e o Brasil. Difusão e recepção de suas idéias. São
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Bernstein, E. Socialismo evolucionário. Rio: Zahar, 1964.
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