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  • MÚSICA ELETROACÚSTICA E DANÇA

    Veja também Música Eletroacústica Arquitetura, Cinema, Literatura.

    "É interessante destacar que muitas das mais controversas premières deste século estavam associadas ao ballet: A Sagração da Primavera, de Stravinsky; Parade, de Satie; o Ballet mécanique, de George Antheil. Esta contribuição polêmica continua na era da música eletrônica, notadamente na colaboração de John Cage com a Merce Cunningham Dance Co. Contudo, o relacionamento entre músicos e artistas dos vários outros campos - pintores, poetas, atores, dançarinos, cineastas, escultores e arquitetos, assim como também com cientistas - tem extendido esta cooperação a níveis jamais sonhados."

    "A era moderna tornou possível (pela primeira vez) a realização de trabalhos que não apenas usam todos os sentidos, mas que também envolvem o espectador como parte da criação (ou, visto de uma outra perspectiva, trabalhos que usam a música como parte de um envolvimento total que tem o indivíduo como seu centro). O primeiro evento multimédia (ou para usar o termo cunhado no início dos anos 1960, happening) - no sentido moderno do termo - foi encenado por Cage e Cunningham em 1952, nas dependênicas do Black Mountain College, Carolina do Norte. Desde a realização deste evento, a Cunningham Dance Co., tendo Cage como seu diretor musical (trabalhando eventualmente com David Tudor) e com a colaboração de artistas tais como Robert Rauschenberg (atuando como designer), tem estado constantemente na vanguarda do uso inédito e experimental da tecnologia aplicada à música.

    Particularmente interessante tem sido o desenvolvimento de sistemas eletrônicos que permitem a conversão direta dos movimentos dos dançarinos em música, tornando a dança e a composição inextricavelmente unidas. Um exemplo desta união é a peça de Cage Variations V (1965), na qual hastes de metal contêm sensores para o processamento e modificação dos sons produzidos pela aproximação dos dançarinos."1

    [...] Ou seja, os dançarinos são parcialmente responsáveis pela criação dos sons que os acompanham, através da utilização de "antenas" (que são estrategicamente) dispostas no palco e que monitoram seus movimentos. Estas particularidades da associação entre dança e música, devido ao seu ineditismo, fazem com que se evidencie a ausência de referências aos relacionamentos tradicionais destes setores artísticos em relação ao drama e a narrativa teatral convencionais. Paradoxalmente, os eventos ocorrem de forma simultanea, porém, independente, já que a dança não é coreografada em função da música, o que cria - também paradoxalmente - mais um senso de oposição do que de cooperação.2 É neste sentido que se pode afirmar que a estética criada por esta modalidade artística - na qual há a associação de dois campos de expressão - "perverte" deliberadamente todo a concepção tradicional dos relacionamentos padronizados e estabelecidos entre atividades artísticas distintas.

     

     

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    • 1 MACKAY, 1981, p.54.
    • 2 MACKAY, p. 80.
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