• CURSOS
  • EVENTOS
  • EXEMPLOS MUSICAIS
  • PARTITURAS
  • M.E. BRASILEIRA
  • M.E. MEXICANA
  • M.E. CARIBENHA
  • TEXTOS
  • E-MAIL ART MUSIC
  • DISCOGRAFIA
  • BIBLIOGRAFIA
  • LINKS
  • UAVISILIU
  • FÍSICA & ORIENTE
  • CARTOGRAFIA
  • ANARQUISMO
  • COMPOSITORES
  • LEI MURILO MENDES
  • PARTICIPE
  • SERVIÇOS
  • BUSCA
  • LITERATURA
  • DANÇA
  • CINEMA
  • ARQUITETURA
  • PROJETO AIOMM
  • AQUISIÇÃO DE CDs
  • PAULO MOTTA
  • HOME
  • O OUVIDO ARMADO
    (para suporte fixo (tape) Duração total: 11:49 m/s
    Uma dramatização eletrônica da voz gravada do poeta Murilo Mendes
     
     
     
  • Informações preliminares
  • Extrato em arquivo MP3
  • Projeto de elaboração: plano de trabalho
  • Comentários
  • Páginas de interesse
  • Informações preliminares

    Composição: Paulo Motta
    Produção:FUNALFA*/EMEGAS
    *Composição encomendada por esta instituição para integrar as comemorações de cem anos de nascimento do poeta realizadas no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil) durante o mês de outubro de 2000.
    Primeira audição: 19 de outubro de 2000, Centro Cultural Bernardo Mascarenhas.

    O Ouvido Armado - Seção 1: A Ceia Sinistra (Extrato, duração: 01m 07s, 02m23s a 03m30s, 22050 Hz, 16 bit, Stereo, 332 Kb, MP3)

    Projeto de elaboração

    A primeira seção desta obra - constituída exclusivamente pela voz gravada de Murilo Mendes e reprocessada em ambiente informático - foi temática, ou seja, a partir do título de um dos poemas recitados (mais exatamente A Ceia Sinistra), criou-se uma dramatização eletrônica relacionada com o tema. Dessa forma, pretende-se dar continuidade estrutural à composição com a realização de mais três seções, cada uma das quais com as seguintes características: Seção 2) predominância da estruturação de ritmos criados através do reprocessamento sonoro da fragmentaçcão dos fonemas; Seção 3) predominância da estruturação de timbres criados através do reprocessamento sonoro da fragmentaçcão dos fonemas; Seção 4) associação de ritmos e timbres criados nas seções anteriores (novamente reprocessados) associados a timbres puramente eletrônicos sintetizados a partir da análise dos fonemas utilizados.

    Comentários

    Conta-se que, certa vez, Ludwig van Beethoven, após um de seus concertos, foi abordado por um ouvinte que solicitava a ele que "explicasse" uma das peças do programa. Beethoven simplesmente retornou ao piano e executou a peça novamente. Era como se o músico alemão dissesse: "a música ou explica-se por si mesma ou então não vale a pena explicá-la". Apesar de ocorrido há cerca de duzentos anos, esse episódio ilustra significativamente a situação de grande parte da produção musical erudita do século XX. Inúmeras obras compostas nesse século, sobretudo aquelas que utilizam tecnologia eletrônica, causam um sentimento de estranheza até mesmo naquele público mais habituado ao repertório erudito. Tal situação tem, em parte, estimulado os compositores a redigirem textos e descreverem suas obras, talvez não com o intuito de explicá-las, mas sim com o objetivo de permitirem que os eventuais ouvintes tenham a oportunidade de conhecer aspectos relevantes do(s) processo(s) composicional(is) aplicado(s). Particularmente, a associação de recursos eletrônicos à composição musical, criou um universo musical extremamente instigante no que se refere à criação de estéticas e critérios composicionais, assim como inúmeras possibilidades de análise, síntese e reprocessamento da matéria sonora. Em meados do século XX (em grande parte, devido à invenção do gravador de fita magnética), surgiram duas escolas que propuseram a aproximação de meios eletrônicos à composição musical (em grande parte, devido à invenção do gravador de fita magnética): a musique concrète, em Paris, com os trabalhos pioneiros de Pierre Schaeffer e Pierre Henry; e a elektronische musik, em Colônia (Alemanha), a partir das pesquisas de Herbert Heimert e Karlheinz Stockhausen. A primeira delas, a musique concrète, propunha a manipulação eletrônica de timbres já existentes. Dessa forma, e a princípio, qualquer sonoridade (captada por microfones) poderia ser usada na elaboração das peças. A elektronische musik (tecnicamente denominada "música eletrônica pura"), por sua vez, não admitia a utilização de sons pré-existentes, e seus criadores trabalhavam exclusivamente na síntese eletrônica dos timbres, criados exclusivamente para cada composição em particular. Por esses motivos, em seus primórdios, essas duas escolas - ou vertentes composicionais - se antagonizavam no que dizia respeito às estéticas e aos procedimentos composicionais envolvidos. A "conciliação" entre as duas ocorreu quando Stockhausen compôs Gesang der Junglinge (O Canto dos Adolescentes) em 1956, aplicando tanto procedimentos "concretos" quanto "eletrônicos" e, consequentemente, inaugurando um novo gênero musical, a "música eletroacústica". Gesang der Junglinge ainda hoje soa atualíssima, representando um "divisor de águas" na produção musical erudita do século XX, sobretudo devido à maestria com que o compositor associa a voz de um adolescente (louvando à Deus com as palavras do Salmo 150 do Livro de Daniel) a sons gerados eletronicamente. Além disso, a obra apresenta um componente que, historicamente, sempre se coloca como sendo relevante e fundamental na história da música ocidental: a voz humana. O próprio Shaeffer afirmava: "a voz é o único instrumento comum a todas as civilizações", evidenciando uma prática composicional reincidente: a utilização da voz e/ou da semântica verbal, em períodos de crise, como recurso de organização estrutural das obras. O compositor brasileiro Flo Menezes, identifica pelo menos três momentos exemplares nos quais a voz atua como um elemento enriquecedor da semântica musical, a saber: na passagem da Renascença para o Barroco, com a invenção do recitativo e da ópera; no inicio do século XX, com a 2ª Escola de Viena (Schoenberg, Webern e Webern) e a invenção do canto falado; e, finalmente, com a incursão da matéria verbal no estúdio eletrônico, citada anteriormente. E foi este perfil histórico da música ocidental um dos principais motivos que me levaram a compor uma peça musical tendo-se como material básico a voz humana. O plano de trabalho para a elaboração de O Ouvido Armado iniciou-se em outubro de 1999. O projeto previa a utilização da voz gravada do poeta juizforano Murilo Mendes para a realização de uma composição para fita magnética solo, na qual esse material seria reprocessado através de recursos computacionais, tendo-se como objetivo a "dramatização eletrônica" das "imagens sonoras" evocadas pelo poeta nos poemas recitados; e para uma eventual performance em tempo real, foi escrita uma parte para sons sintetizados eletronicamente. Neste último caso, além de se procurar evidenciar o contraste timbrístico entre os sons reprocessados (concretos) e os sons sintetizados (eletrônicos) criados em um sintetizador modular, procurou-se destacar também - através da superposição, contraposição e retrogradação desses dois tipos de sonoridades - as diferenças entre as características estruturais dos mesmos: embora tenha sido previamente realizado um trabalho de otimização da voz gravada do poeta - através da masterização dos originais -, as "impurezas" (alta relação sinal-ruído) presentes na gravação original impregnam os fonemas e sílabas com uma organicidade timbrística que se torna ainda mais evidente quando esses fonemas e sílabas são associados aos timbres digitais sintetizados. Essas "impurezas"- que, na verdade, constituem-se de ruídos dos mais variados matizes - foram propositalmente utilizadas, em algumas passagens, como elementos estruturais da peça, sendo também reprocessadas eletronicamente. Aproveitou-se, dessa forma, as próprias "imperfeições sonoras" da gravação original para compor o quadro de nuances timbrísticas da obra. Além desses elementos, serão introduzidos, para este concerto, a leitura de trechos de alguns poemas (por Gisela Fonseca Barbosa, Enilce Albergaria e José Eduardo Arcuri). A primeira parte da peça (de um total previsto de seis partes, com duração variando entre dez e vinte minutos cada uma), já concluída, traz fragmentos dos seguintes poemas: A Ceia Sinistra, Metade Pássaro, A Sesta e Jandira. Para as demais partes, serão usados, além de outros fragmentos desses textos, fonemas, sílabas e versos dos demais poemas disponíveis (Pastoral, A Marcha da História, Poema Barroco e Metafísica da Moda Feminina). O material básico para os trabalhos de composição da primeira parte da peça, extraído desses poemas, foi organizado a partir de dois procedimentos básicos: o primeiro, constituiu-se na seleção dos versos que contivessem imagens sonoras - vocábulos e expressões - passíveis de serem "traduzidos" e "representados" em um contexto composicional músico-eletroacústico; o segundo, na fragmentação das sílabas e fonemas que, após serem reprocessados eletronicamente, foram utilizados na construção de um discurso musical que, embora eminentemente "contrapontístico", apresenta também tessituras sonoras relativamente longas. Ou seja, essas partículas sonoras - constituídas por sílabas e fonemas da voz de Murilo Mendes - possibilitaram a formação de uma "dinâmica pontual" onde prevalece o jogo contrastante de "entidades" timbrísticas criadas a partir da micro-estrutura fonética e freqüencial dessas partículas: a própria materialidade da voz do poeta foi, assim, empregada para a elaboração de um discurso musical onde "pontos" e "linhas" sonoras ora se complementam, ora se contrapõem, ora se justapõem. O próprio título da composição - O Ouvido Armado -, ao referir-se análoga e metaforicamente à expressão "o olhar armado" criada pelo próprio poeta e presente em um de seus textos, evoca esse trabalho composicional minucioso de fragmentação (não apenas do discurso poético propriamente dito, mas da própria materialidade vocal), reprocessamento e reorganização da micro-estrutura fonético-silábica dos textos. Esses aspectos - fragmentação, reprocessamento e reorganização - inevitável e simultaneamente apresentam características singulares e comuns que se antagonizam e se complementam ("inevitavelmente", pois os programas de computador empregados são os mesmos para todas as etapas): a "decomposição" do material original antecede, assim, a composição musical propriamente dita. A fragmentação fonético-silábica, o reprocessamento timbrístico e a reorganização formal dos fonemas e sílabas, sendo totalmente realizados com recursos computacionais (ou seja, em ambiente exclusivamente informático), apresenta um alto grau de exatidão no que se refere aos procedimentos empregados, possibilitando a manipulação relativamente precisa da matéria sonora. Por outro lado, as próprias interface dos programas, assim como suas características internas, eventualmente interferem na elaboração composicional propriamente dita: inadvertidamente, os parâmetros desses softwares foram empregados na construção estrutural de O Ouvido Armado, ocasionando o surgimento de "casuísmos composicionais" que se apresentaram como elementos de indeterminação músico-composicionais. Independentemente da exatidão e domínio dos componentes desses programas, a superposição de timbres, por exemplo, por vezes apresentou resultados inesperados, o que, via de regra, otimizou as perspectivas esperadas. Complementarmente, não se procurou realizar o trabalho com uma "receita composicional" pré-concebida (portanto, estereotipada), mas sim organizar o material sonoro disponível a partir da percepção das características intrínsecas das próprias partículas fonético-silábicas, assim como da semântica verbal dos textos (muito embora, na peça, predomine o reprocessamento eletrônico das primeiras). Ou seja, o próprio material sonoro eleito para constituir a estrutura da composição, a partir de suas próprias peculiaridades fonético-silábicas, "ditou" as regras de organização composicional empregadas na elaboração de O Ouvido Armado.
    Paulo Motta, outubro de 2000.

    Páginas de interesse

    MUSEU DE ARTE MODERNA MURILO MENDES
    Sítio: http://www.mam.ufjf.br/
    Rua Benjamin Constant 790, Centro Juiz de Fora, MG (32) 3229 9070
    CEP 36015-400 55 - Juiz de Fora - MG - Brasil
    (32) 3229 9070
     
    O Ouvido Armado integra o projeto VOZES DOS POETAS: uma dramatização eletrônica das vozes gravadas dos poetas edimilson de almeida pereira, fernando fábio fiorese furtado, iacyr anderson freitas e murilo mendes (Composição eletroacústica)
     
    Voltar ao início da página
    .
    Created and Edited by Paulo Motta
    Copyright © 1997-2007 Group of .Sonic Arts. All Rights Reserved.
    GAS - Group of Sonic Arts™ is a trademark, and any unauthorized use of the name is a violation of applicable law.
     
    This file may be reproduced for private study or teaching purposes or placed on a Web Server, provided that its origin is always acknowledged and that this notice and the above copyright notice always accompanies it.
    By the way, I welcome your feedback. You can mail me at pmotta@artnet.com.br.