• DHARAMSALA CANUDOS Paulo Motta

     

     

     

     

    Capa do CD Dharamsala Canudos, na qual aparece a imagem da Cordilheira do Himalaia e do norte da Índia, superposta à imagem do nordeste brasileiro: fusão de paisagens em tons de sangue e fogo, habitadas por populações distintas, mas que se encontram no sofrimento e no enfrentamento das imposturas dos "Arautos da Civilização" (da República Novecentista Brasileira, no nordeste brasileiro; e do Exército da "Libertação" do "Grande Dragão do Norte", no Tibete). Na parte central da imagem, a Cordilheira do Himalaia perpassa o Sertão Baiano; na história dos povos e civilizações, a saga dos canudenses e do povo tibetano se entremeiam na fé religiosa e na perseguição e invasão militar de suas terras e territórios, nos quais foram perseguidos e dos quais foram expulsos compulsoriamente.

     

    Parte da renda arrecadada na venda deste CD será destinada a grupos de auxílio humanitário às populações nordestina e tibetana. Organizações e instituções interessadas favor contatar pmotta@artnet.com.br.

    APRESENTAÇÃO

    A aproximação das culturas do planeta é uma das principais características do mundo contemporâneo. No âmbito da música - seja erudita ou popular -, várias tendências artísticas, estilos, gêneros e instrumentos musicais das mais variadas origens são colocados lado a lado, criando a possibilidade de se criar composições musicais significativamente diversificadas quanto à forma, ao ritmo, à harmonia, à melodia, aos timbres e, sobretudo, no que diz respeito à interpenetração de concepções musicais no seu mais amplo sentido. O CD Dharamsala Canudos inclui três composicões intrumentais constituídas por um instrumental amplamente variado de duas culturas musicais distintas: a saber, a brasileira e a indiana. As referências à música brasileira aparecem eminentemente com a inclusão do rítmo maracatu (dança característica da região Nordeste do Brasil); e as referências à música indiana e à música tibetana, com a utilização do sitar: instrumento indiano de origem mulçumana, e um dos ícones instrumentais dessa cultura musical, aparece aqui associado também à cultura tibetana, pelo fato da Índia ter amparado o povo tibetano em seu território, por ocasião da invasão chinesa. Essas referências são associadas, nas três faixas do CD, a um instrumental variado que inclui uma vasta gama de instrumentos de percussão, tabla, sitar, tampura, violão de cordas de aço, flauta transversa, sintetizadores, guitarra elétrica, corne inglês, dentre outros. Esse amplo leque de instrumentos musicais confere às composições uma rica variedade timbrística. Contudo, o que unifica essa gama variada de timbres instrumentais, as culturas musicais (brasileira e indiana), os ritmos e a concepção musical propriamente dita é a temática indicada no título do CD: Dharamsala - Canudos, duas cidades distanciadas geograficamente, mas que representam a trajetória comum de duas populações que lutaram e lutam por sua liberdade. Dharamsala (cidade situada no norte da Índia) é o local de exílio de grande parte do povo tibetano e de seu líder Dalai Lama, expulsos de seu país pelos chineses em meados do século passado; Canudos (cidade situada no nordeste brasileiro) é o ícone da luta de seus habitantes - guiados pelo líder religioso Antônio Conselheiro - contra uma ordem política emergente (a República Novecentista Brasileiras) que procurava "equalizar" os modos de vida da sociedade do final do século XIX. O encarte do CD trás um extenso texto (veja abaixo um excerto)baseado na literatura de cordel, no qual se compara a saga do povo nordestino com a saga do povo tibetano, que resistem atualmente ao descaso da elite brasileira e à perseguição de uma das maiores potências econômicas do planeta. Dharamsala Canudos apresenta uma concepção musical a partir de uma temática - ou seja, a situação sócio-político-cultural de duas populações distintas - que, não obstante sua característica extra-musical, possibilitou a criação de composições musicais amparadas sobretudo nas referências rítmico-instrumentais das culturas citadas anteriormente, notadamente a do nordeste brasileiro.

    OUVIR

    1. Trópico Maracatu...........................................................29:53
    .........................# 1: Canudos
    .........................# 2: A Batalha entre Deus e o Diabo
    .........................# 3: Sertão Encantado (ao olhar silencioso)

    Extrato faixa 1. , duração: 01'38" (22050 Hz, 40 kbps, 16 bit, 482 Kb, Stereo, MP3)

    2. Senda Chinesa...............................................................13:29

    Extrato faixa 2. , duração: 01' 08" (22050 Hz, 40 kbps, 16 bit, stereo, 336 Kb, MP3)

    3. Dharamsala...................................................................30:43

    Extrato faixa 3. , 00'00" a 01'27" (22050 Hz, 40 kbps, 16 bit, 431 Kb, Stereo, MP3)

    .................................................................... .Tempo total: 72:30

     

    EXCERTO DO TEXTO DO ENCARTE

    A PELEJA DE CONSELHEIRO E DALAI LAMA COM OS ARAUTOS DA CIVILIZAÇÃO

    .............................................................................................................Por Paulo Motta

    Versejar Tibete com Sertão Nordestino
    Sertão Nordestino com Tibete
    Pode parecer um grande desatino
    Pois é coisa de cabra-da-peste
    E as gentes de outras paragens
    Não versadas na arte cordelista
    Correm o risco de escrever bobagens
    E fazem pose de artista
    da palavra e da escrita
    sem terem esquentado a cachola no sol do sertão.
    O palavrório sai truncado
    E porventura o nordestino da gema
    não fique abufelado, nem alvoroçado
    E não tome a versalhada como aresia
    E nem como arremedo estrangeirado.
    Por isso mesmo o autor do presente texto
    vai avisando de antemão:
    o que aqui se escreve não tem a pretensão
    de ser literatura ou poesia de cordel
    é humildemente uma homenagem épico-poética
    ao Compadre Conselheiro, ao Compadre Dalai Lama
    e às suas gentes sofridas, fortalecidas na dor,
    e a todo cordelista menestrel e trovador.
    Pois literatura de cordel é centenária:
    No passado o nome era outro:
    Folheto, romance, história, folheto de trovador.
    O nome “cordel” vem de Portugal,
    é peregrinismo, xenismo;
    e cordelista, cordelismo,
    é tudo estrangeirismo.
    Coisa parecida tinha na França e na Espanha;
    No Brasil, diferentemente doutros países,
    é mais poesia do que prosa.
    Título engraçado é muito encontradiço,
    tais como “Casamento e mortalha no céu se talha”
    e “O conselheiro nu de Lampião”,
    tudo rimado certinho, em forma de sextilha:
    Com a palavra parece que fazem feitiço.
    Poesia de cordel é impressa em livretos populares,
    com o nome e ilustração na capa,
    vendidos no Nordeste brasileiro,
    em feiras populares
    e também em outros lugares.
    Alguns dizem que ela desapareceu,
    que em certa época, sumiu.
    Mas, ao contrário, continua muito viva,
    e sobre ela brasileiros e estrangeiros
    escrevem artigos e teses.
    E como disse Américo Pellegrini Filho,
    a poesia de cordel “continua vivinha da silva”,
    é no Brasil coqueluche de norte a sul.

    Sem pretender o perfectível,
    mas na medida do possível
    procurar alcançar a excelência
    e escrever versos com elegância
    solicita-se auxílio aos catedráticos,
    gente das letras acadêmicas
    para melhoria e favorecimento
    deste palavrório trovadoresco.
    Mais adiante do presente escrito
    O autor dessa prosa cordelizada
    Vai pedir ajuda imprescindível
    aos estudiosos academizados
    Para melhorar esta escrita aversalhada
    Sobre tibetanos exilados
    e nordestinos conselheiristas dizimados
    Povos de religiosidade profunda e infinita
    Gente orgulhosa de sua fé
    Gente sofrida de muitos anos.
    Mas por ora continuemos com essa escritura
    sobre o Nordeste brasileiro e o Tibete injustiçados:
    Um cá no Ocidente, América do Sul, Brasil,
    O outro lá no Oriente, na longínqua Ásia, distante. (...)

     

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    LINKS DE INTERESSE

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    O CD Dharamsala Canudos foi realizado sob os auspícios da Lei Municipal Murilo Mendes de Incentivo à Cultura, em sua edição de 2005.

    Imagens de fundo deste sítio: mosaicos de imagens que integram o encarte de 16 páginas do CD Dharamsala Canudos

     
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