No final de 1981 surge em Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil, um grupo que reunia músicos, artistas plásticos e dançarinos. A sua formação mais constante foi a seguinte: Max Bastos, Beatriz Ozório, Carlos Henrique Feres Pereira (Kain), Priscila Frota, Paulo Motta e Edson Zaguetto. Vários outros artistas locais - dentre eles o artista plástico Cesar Brandão (cenografia) e as dançarinas Jeanne Peduzzi e Cacá, e o dançarino Marcelo - participaram de suas atividades. O grupo se tornou, no meio artístico local, a referência de uma vivência e um fazer artísticos extremamente significativos e compromissados com uma linguagem sintonizada com a contemporaneidade e com uma estética que rompesse com os modelos artísticos acadêmicos consagrados.
O grupo iniciou suas atividades a partir do segundo semestre de 1982, com ensaios diários. A motivação para o início dos trabalhos foi a afinidade das perspectivas artístico-musicais de cada integrante. Cada componente do grupo, com sua personalidade e formação musicais individuais, contribuíram para que as composições - sempre realizadas em grupo - se caracterizassem por apresentarem peculariedades estruturais muito próprias. Na verdade, o trabalho em grupo se revelou uma oportunidade para o livre experimento sonoro-musical e plástico, fazendo com que os ensaios se transformassem em verdadeiros "laboratórios sonoro-musicais". A formação musical dos integrantes do grupo era basicamente erudita, tendo alguns deles estudado com importantes professores do cenário musical brasileiro, dentre os quais Mauro Senise, Manuel Devaux e Paulo Bosísio.
Ao final do ano de 1982, o então conceituado Centro de Artes Lira Paulistana - cuja teatro situava-se no antológico porão do n.o 1091 da Rua Theodoro Sampaio, no bairro de Pinheiros, São Paulo - abre as inscrições para o projeto "Boca no Trombone". Esse projeto convocava grupos de "música instrumental" de todo o país a serem selecionados para apresentações de um período de duas semanas. O Lira Paulistana solicitava aos interessados o envio de uma fita de áudio, com o trabalho musical de cada grupo, para que a mesma fosse apreciada pela comissão de seleção do projeto. Dentre centenas de concorrentes, o Uavisliu foi o único grupo não-paulista a ser selecionado para o projeto, após ter enviado a gravação de uma peça musical que consistia em aproximadamente 60 minutos de várias gravações em fita magnética de composições originais do grupo registradas em sentido contrário. Na verdade, o fato do grupo ter sido aprovado, surpreendeu a todos, pois não se tinha, até à véspera do encerramento das inscrições, nenhum trabalho do grupo registrado; e, após o término da gravação daquela que seria a fita a ser enviada, todos duvidaram da possibilidade de participação no Projeto Boca no Trombone: o resultado sonoro-musical dessa gravação parecia fugir totalmente do perfil estético-musical que era proposto pelo Projeto. Era, na verdade, uma peça experimental que se constituía basicamente de improvisasão coletiva, com influências de jazz contemporâneo, música minimalista e elementos de música eletroacústica.
Após o recebimento da notícia de que o grupo iria participar do Projeto, o Uavisiliu iniciou a composição e os ensaios de uma longa peça que viria a ter aproximadamente 50 minutos contínuos. Em função da saída de alguns componentes do grupo, os remanescentes do Uavisiliu se viram diante da tarefa de reestruturar o projeto inicial dessa peça, que incluía, além da composição musical propriamente dita, ambientação cenográfica e coreografia. A execução musical ficou a cargo de Max Bastos, Kain e Paulo Motta; e a cenografia ficou sob a responsabilidade do artista plástico César Brandão. No entanto, o desfalque maior foi o fato de se não poder mais contar com a única dançarina do grupo que permanecera após a primeira apresentação do grupo (no evento Domingo Cultural, promovido pelo Diretório dos Estudantes da Universidade Federal de Juiz de Fora ), Priscila Frota.

Assim, foi convidada a bailarina Jeanne Peduzzi, e este fato veio a ser extremamente importante para o Uavisiliu. Jeanne estava impossibilitada à época de comparecer aos ensaios do grupo e, assim, estruturar a coreografia. Este fato forçou os músicos a criarem uma alternativa para que Jeanne pudesse ter a sua participação garantida: optou-se por se fazer uma gravação da obra que seria apresentada em São Paulo, o que possibilitaria a Jeanne construir sua coreografia sem necessariamente comparecer aos ensaios. Além disso, Jeanne dispunha de um espaço adequado para a efetivação de tal tarefa. As circunstâncias da participação de Jeanne no Uavisiliu, desta forma, motivaram a gravação do que é hoje o único registro musical do trabalho do grupo (a fita magnética enviada ao Centro de Artes Lira Paulistana parece ter-se extraviado após a finalização das atividades do mesmo)
Após algumas semanas dedicadas à finalização dos trabalhos, o grupo viaja para São Paulo. As apresentações no teatro do Centro de Artes Lira Paulistana aconteciam em simultaneidade com vários outros grupos de São Paulo. Ou seja, os shows aconteciam em períodos de duas semanas para cada dois grupos, os quais dividiam o tempo da apresentação (o ecletismo dos estilos musicais dos grupos participantes era acompanhado do ecletismo do público que comparecia aos eventos). O espetáculo apresentado pelo Uavisiliu demonstrou ser inusitado até mesmo para o público paulista, acostumado a espetáculos mais ousados em termos de linguagem estética: aqueles que compareciam às apresentações do grupo ficavam aparentemente hipnotizados com a performance de seus quatro integrantes, que tinha a duração de aproximadamente 50 minutos ininterruptos.
Após este evento o grupo apresentou-se em Juiz de Fora apenas uma vez mais, no Espaço Cultural. Mas, para este evento, o trabalho não foi coletivo, assim como também não houve a participação de Jeanne Peduzzi: Max Bastos, Kain e Paulo Motta apresentaram, no espetáculo denominado Cristal, composições individuais em três momentos distintos. O grupo perdeu, assim, sua característica original, que era a de ser um "laboratório coletivo de experimentação musical".
Todos aquelas pessoas que participaram das atividades do grupo e/ou acompanharam a sua curta - porém intensa - trajetória, têm consciência de que o Uavisiliu representou para elas muito mais do que um mero grupo de música. Na verdade, o Uavisiliu representou para essas pessoas uma experiência de vida extremamente significativa, na qual não apenas as questões artísticas estavam em jogo, mas também a totalidade do ser de cada uma delas.