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A SAGA DO UAI!? CÊ NÃO VIU ALI O LIÚ? Essa obra prima inédita do renomado e desmemoriado memorialista lusitano Peter Dighole, tem sido considerada pela crítica especializada (mesmo antes de seu lançamento) como a mais reveladora autobiografia (não autorizada) do famoso e dinossáurico grupo multimédia de música sertaneja mineira experimental antropomórfica retro-vanguardística Uai!? Cê não viu ali o liú?, que revolucionou (e devastou), com suas avançadas propostas estéticas, o cenário artístico-performático da aprazível e pacata província de Potochó do Mato Dentro durante o último quartel do século XIX. Embora inédita, já foi antecipadamente traduzida em mais de 150 idomas, e inclui historiografia, discografia, fotografias, dados biográficos, entrevistas bombásticas, receitas culinárias, imagens suprasensíveis do museu da música de um de seus ex-integrantes (o renomado Dr. Von Esphertexto) e depoimentos inéditos, além de um DVD e um CD-ROM com músicas interativas, um sensacional video-game em três dimensões protagonizado pelos ex-integrantes do grupo e um vídeo clip inédito gravado inteiramente na Ilha de Madagáscar, na Serra de Ibitipoca, nas estepes russas e em um paradisáco oásis no Deserto do Saara. Também no prelo, devido aos intermináveis desentedimentos entre os ex-integrantes do grupo relativos à venda dos direitos autorais da história do Uai!? Cê não viu ali o liú? para a editora de Peter Dighole; e também em função do fato de que um de seus ex-integrantes insiste em querer que toda e qualquer referência ao grupo seja encontrada apenas em um museu da música que seria especialmente construído para preservar a memória do grupo. Pedidos antecipados dessa obra prima habilitam o comprador a receber uma cópia com uma faixa de áudio bonus com o sucesso A Lente da Memória em um Piscar de Olhos e um fantástico DVD extra com o derradeiro concerto do grupo ocorrido na Cordilheira do Himalaia, a mais de 5.000 metros de altitude: The Last But Not Least Desconcert. Esse local exótico foi escolhido, tanto pelos produtores quanto pelos integrantes do grupo, com o propósito de se verificar experimentalmente a propagação dos sons e a execução de movimentos corporais em locais onde o ar contém baixos níveis de oxigênio (sendo, portanto, extremamente rarefeito). No entanto, devido às péssimas condições climáticas, e para decepção dos componentes do grupo, o público presente ao espetáculo não passou de algumas dezenas de sherpas (moradores nativos que coincidentemente passavam pelo local) e de alguns Yaques (uma espécie de "vaca" nativa). Mesmo assim essas históricas imagens registram um dos momentos marcantes da trajetória do grupo (naquele momento, em fase de extinção), a universalidade de sua revolucionária arte (pois, apesar do hermetismo estético, a reduzida platéia foi totalmente impregnada por uma a vibração cósmica suprasensivelmente transpessoal...), a ousadia de suas propostas artísticas e o envolvimento contagiante de seus integrantes com uma prática artística compromissada exclusivamente com o risco e a experimentação estética (mesmo que para isso tivessem que literalmente sentir, durante as quase 6 horas de duração do concerto, uma desconfortável e inquietante falta de ar; no caso, nas condições climáticas adversas daquela remota região do planeta...). Apesar de todas essas adversidades, os integrantes do grupo afirmaram, em coro, ao final do espetáculo: "Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena e não é hipo-sensível..."
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