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O homoerotismo nas revistas Sui Generis e Homens (1)
Autor: Marko Monteiro (markosy@uol.com.br)
Trabalho apresentado no evento Literatura e Homoerotismo: II Encontro de Pesquisadores Universitários. Uma agenda para os estudos gays e lésbicos no Brasil. Universidade Federal Fluminense, Instituto de Letras, 24-26 de Maio de 2000.
Introdução
Neste trabalho vou analisar duas publicações gays, a Sui Generis e a Homens, ambas publicadas pela SG Press, no Rio de Janeiro. O trabalho de pesquisa com as duas revistas envolveu a análise de conteúdo de cinco números de cada revista, além de uma curta observação da redação onde ambas são produzidas. A pesquisa se refere ao período de 1999, quando realizei a pesquisa, não levando em conta as recentes mudanças no mercado editorial GLS e na própria SG Press, que abandonou a Sui Generis a favor de outra publicação erótica, Sodoma (ver Sui Generis, 55, março de 2000).
O enfoque deste trabalho se da nas representações divergentes de gays em ambas as publicações. Usar o termo gay aqui já se torna um complicador, pois denota um projeto político particular, muito mais próprio da Sui Generis do que da Homens, onde a palavra raramente é usada. Ou seja, poderíamos dizer que se trata portanto de pesquisar as dissonantes e contraditórias representações de "homoeróticos" (Costa, 1992) em duas revistas nacionais. Em outras palavras ainda, poder-se-ia dizer que se trata de investigar como atos e sujeitos são representados e interpretados nessas revistas, no que concerne à sua relação com o erotismo entre homens.
Portanto vou investigar exatamente espaços no interior destes discursos, que quebram com a unidade de um sujeito "homossexual" ou "gay" unificado, coerente, auto-centrado. As representações presentes nestas revistas apontam, pelo contrário, para uma multiplicidade de formas de se vivenciar o erotismo entre homens, sejam eles gays, heterossexuais, bichas, travestis, michês ou qualquer outra categoria possível. A pluralidade de categorias usadas nas páginas das revistas é um fato importante que aponta em si mesmo para uma ausência de unidade no interior deste grupo, de seus sujeitos e de suas práticas.
Ou seja, pretendo explorar como qualquer discurso a respeito desta forma de erotismo parte um lugar específico, mesmo ao apelar para a unidade de uma "comunidade". Cada revista têm seus pressupostos, inclusive políticos, que norteiam sua produção, mesmo que estas não estejam explícitas. No caso da Sui Generis, pude avaliar que o projeto da revista sempre foi o de apelar para uma comunidade gay, unificada em seu desejo homoerótico. A revista busca trabalhar positivamente a auto estima deste grupo, garantindo um espaço no mundo do consumo. A Homens, por outro lado, parte do ponto de vista de que há uma variedade de personagens no chamado mundo gay, entre eles bichas, bofes, travestis, michês, etc., que se caracterizam e se configuram ao redor de práticas sexuais. Ou seja, o desejo homoerótico articula identidades múltiplas. Ele parte de pontos diversos e se manifesta numa variedade de práticas, inclusive transgredindo divisões importantes para a Sui Generis, como aquela entre homo e heterossexuais.
Contextualizando a SG Press
Em 1994, saía o número zero da revista Sui Generis no Rio de Janeiro, feita artesanalmente pelo jornalista Nelson Feitosa. Segundo o próprio Nelson, a revista não tinha pretensões muito ambiciosas. O que ele queria era um periódico pequeno e informativo para circular na zona sul do Rio de Janeiro, algo bastante restrito e íntimo. Mas, assim que a mídia ficou sabendo da notícia, ela se espalhou e o projeto caseiro se tornou uma das revistas gays mais bem sucedidas do país, com distribuição nacional, que durou até o início de 2000.
A revista se lança junto com o conceito mercadológico de GLS (sigla que significa gays, lésbicas e simpatizantes), que viria renovar todo a concepção por trás do marketing de produtos gays, ou voltados para seu público, no Brasil. Começava ali um momento de maior penetração de publicações, antes associadas a um grupo extremamente marginal, num mercado mais amplo e mais visível. Também a proposta editorial da Sui Generis favoreceu esse cross over para um mercado mais amplo, pois fugia da fórmula mais comum de periódicos gays, que se baseavam quase que exclusivamente no nu masculino, em contos eróticos e em correspondência amorosa/sexual entre os leitores.
A revista buscou, desde o início, fugir da pornografia, marca registrada de qualquer publicação gay de grande porte até então, para investir numa fórmula mais próxima de títulos gays do exterior (como Attitude, publicação britânica, uma referência constante na redação da SG Press), com ênfase em temas de cultura, comportamento e moda. Como relatou Nelson Feitosa, ela buscou um diferencial de qualidade para si mesma, a fim de escapar ao que ele chamou de "gueto" de publicações restritas a um mercado erótico e que sofriam o preconceito generalizado na sociedade. A revista Homens, por sua vez, é a tentativa da SG Press de penetrar nesse mercado.
Homens tem um perfil completamente diferenciado da Sui Generis. Trata-se de um produto eminentemente erótico, onde a maior parte do conteúdo é composto por ensaios fotográficos de nu masculino. Além de fotos, há também um conto e uma história em quadrinhos eróticos em cada número. Algumas entrevistas, pouquíssimas matérias investigativas e classificados eróticos completam a sua fórmula editorial. Apesar de ser produzida na mesma redação e pelos mesmos profissionais da Sui Generis, nem todos eles participam da Homens. Esta, por demandar muito menos trabalho jornalístico, é basicamente feita por um ou dois repórteres da SG Press. As fotos, os contos e HQ são feitos por free-lancers.
Na Sui Generis, um dos fatores mais importantes no seu perfil editorial é a sua perspectiva do que significa ser gay, a sua postura com relação ao preconceito, à necessidade de "assumir-se gay", ou de "sair do armário", assim como em relação à dinâmica do desejo homoerótico. A revista é muito mais militante no tocante à auto-estima do que a Homens, assumindo uma postura bem próxima aos movimentos gays norte-americanos de busca de uma identidade unívoca e coesa.
Homens trata do desejo de forma muito mais fluida, como veremos melhor a seguir. Nesta revista não existe, de forma clara, a divisão entre homo e heterossexuais. A cada momento, um "heterossexual" pode sentir o desejo por outro homem, seja nos contos, nas fotos, nos quadrinhos ou nas cartas de leitores. As divisões que ocorrem se baseiam muito mais em outros parâmetros, como o tipo de atividade sexual (os "héteros", por exemplo, nunca são os parceiros "passivos" nos contos e HQ) ou as situações eróticas criadas, que se pautam por "fantasias" bastante comuns e recorrentes, como o fetiche pela farda (policiais, soldados, etc.) e por homens casados, por exemplo, entre os quais as palavras "gay" e "homossexual" nunca aparecem, nem descrevem o desejo em questão.
Produzindo representações dissonantes
Com exceção da única mulher, todos os jornalistas da redação eram homens gays. Portanto havia um certo ambiente de camaradagem no tocante a essa questão, ou seja, de certa forma, todos estavam cientes de estarem constantemente expostos ao preconceito, tanto na sua vida pessoal quanto no trabalho realizado na revista.
A redação da Sui Generis é, dessa forma, bastante homogênea. Portanto o trabalho realizado por esses repórteres tomava o sentido de "feito por gays para gays". Nesta revista, portanto, o tema do preconceito é fundante. Mesmo que não se trate de um veículo militante de algum grupo político, a revista assume um certo tipo de "militância de mercado", trabalhando positivamente a auto estima do leitor e se preocupando, ao mesmo tempo, em lhe vender a revista, além de uma gama de produtos associados a um certo estilo de vida, postura bastante similar à de uma revista como Raça Brasil (2).
A Homens destoa um pouco dessa característica militante. Como já mencionei acima, o imaginário mobilizado por essa revista não é o mesmo da Sui Generis, por vezes tratando da sexualidade de uma forma absolutamente condenável do ponto de vista militante, como, por exemplo, o já falado tema de sexo entre "bichas" e "héteros", ou mesmo as diversas "facções" nas quais se dividem os "gays" (travestis, bofes, bichas, etc.) que, de um certo ponto de vista, dividem uma experiência "homossexual", além de glorificar uma postura hierárquica entre "ativos" e "passivos".
O importante a ser retido numa discussão sobre a produção destas representações é perceber que ambas as revistas são produzidas por sujeitos que se aproximam bastante do seu público leitor. Nas minhas conversas com eles, sempre se levantava a questão de como decidir sobre quais temas escrever. Isso nunca era muito complicado, pois a vivência dos repórteres enquanto gays os dava autoridade para tratar dos temas relevantes para estes sujeitos a partir de sua experiência própria.
Ao mesmo tempo, ao notar como são diferentes ambas as publicações, vemos que é na própria vivência destes sujeitos que as contradições estão presentes. Ou seja, na sua condição de sujeitos que participam desta vivência, estes repórteres participam desta multiplicidade de desejos e identidades. Esta contradição inerente à experiência gay brasileira está portanto expressa na própria contradição aparente entre ambas as publicações. Isto significa portanto que nesta vivência, poder-se-ia pensar, existem vetores que levam tanto a uma homogeneização de uma identidade gay em torno de um estilo de vida e de consumo específico, quanto a esta fluidez do desejo homoerótico, onde práticas sexuais, muitas vezes perpassadas por relações de poder hierárquicas, delimitam personagens sociais múltiplos.
Na SG Press, deste modo, a vivência gay marca a experiência pessoal dos profissionais, assim como a atitude das duas revistas, embora de formas diferentes. Se a Sui Generis investe na constituição de uma comunidade gay mais ou menos homogênea, cujos diferenciais são um estilo de vida altamente consumista, um certo individualismo, uma constituição corporal bastante particular (corpos musculosos e viris na sua maioria), a Homens vai investir muito mais na fluidez do erotismo entre homens, sendo este erotismo altamente pautado pelo tema da hierarquia e da dominação de "machos" por "menos machos" ou efeminados.
Como me disseram os editores, a Sui Generis tem como seu objetivo ser informativa e agradável de ser lida, mas é voltada a um público bastante específico. Portanto cada notícia, mesmo que seja de interesse mais amplo, como o lançamento de um filme ou um acontecimento político, deve ser tratada de forma diferenciada, dando-se atenção ao twist que o gay pode conferir à matéria. Além disso, é uma revista preocupada com a auto estima de um grupo extremamente estigmatizado na nossa sociedade (3).
Esse tipo de "militância" gay é tema de freqüentes editoriais inflamados da Sui Generis, denunciando o preconceito na sociedade brasileira, como este da edição 36:
Gays e lésbicas já foram tão raros na tevê quanto os 0900. Lembra-se? Foi nesta década que o espaço gay na mídia cresceu. Não tanto como o dos sorteios eletrônicos, felizmente. Ainda assim, hoje em dia, enquanto tenta a sorte num Gol ou numa Mercedes, quem vê televisão não pode ignorar que há vida inteligente fora da heterossexualidade.
À primeira vista, maior visibilidade é sempre ponto a favor. Mas nem sempre funciona assim na realidade. Estar na mídia é como vender a alma ao diabo. Divulga-se a causa gay para a sociedade, mas se paga o preço de nem sempre ser retratado segundo a nossa vontade.
O leitor Luiz Renato, presente na seção de cartas desta edição, engrossa o coro dos que acham a conta cara. "Não podemos deixar que nos usem como a atração principal de um circo, cuja finalidade está longe de ser a defesa de nossos interesses como cidadãos", reclama ele, morador em Realengo, no Rio.
Em parte, o protesto tem razão. Mas a mídia, definitivamente, não é o maior de nossos problemas. Estes cinco minutos de fama, que sabe-se lá até quando vão durar, ajudaram muito. Principalmente, ao transformar o homossexual (aquele pecador abstrato) em algo concreto, que não dá mais para se jogar debaixo do tapete das causas sem voz.
Antes era fácil ignorar. O espaço para o gay nos veículos de comunicação era ocupado por dois papéis simbólicos e inócuos em seu efeito transformador. O primeiro era de bobo da corte. Como a figura medieval - que impunemente criticava a tudo e a todos - homossexuais, como Painho, Capitão Gay, Seu Peru e uma infinidade de mordomos, cabelereiros e bailarinos caricatos das novelas podiam tudo, até ser gays. O público ria deles e nada mais.
O segundo papel era de marginal. Fora do universo do bem, o homossexual podia se apresentar abertamente à sociedade sem o perigo de retaliação pública. O vilão funcionava como um correspondente na ficção do cinema e da tevê ao submundo da vida real. Não faz nem dez anos que gay só aparecia nos jornais, quase sem exceção, nos cadernos policiais, como vítima de crime ou personagem de reportagens sobre prostituição, por exemplo.
Para aparecer na mídia, a homossexualidade precisava cumprir estes dois destinos. Mas como habitantes de um circo ou de um mundo cão distantes, nem o bobo nem o marginal faziam parte da realidade do público médio. Serviam apenas para aliviar a audiência, que desligava a televisão (ou fechava o jornal) confortada na sua normalidade.
Nenhum hetero conservador rejeitava Seu Peru, assim como nenhum gay se sente mais cidadão por causa do personagem. Seu Peru estava longe tanto de gays como de heteros. O mesmo não ocorre hoje. Houve rejeição à ligação amorosa dos personagens de Glória Menezes e Sívia Pfeiffer, prevista para ir ao ar em Torre de Babel e, ao que parece, cancelada da história. Eles estão muito perto do público, porque tem família, dinheiro, beleza, trabalho, dignidade e auto estima. Como rir disso? Aqui, a homossexualidade torna-se impossível de ser ignorada. Ela integra o mesmo mundo em que vive o público médio (e nós também).
A representação do marginal e do bobo da corte ainda dá ibope junto ao público e desagrada gays. Contudo, hoje são apenas duas das várias formas que a homossexualidade tem aparecido na mídia.
Desde que colocamos a cara e a voz para fora do armário, estes dois símbolos antes negativos da homossexualidade não são mais necessariamente ruins. Veja Vera Verão, personagem que tradicionalmente ocupa o espaço do bobo da corte. Atualmente, ao invés de ser usado para diminuir o homossexual, Vera Verão é apenas um delicioso personagem que faz rir. Enquanto o ator que o interpreta usa o próprio poder que a mídia lhe deu para combater preconceitos falando publicamente que é gay na própria televisão. Aliás, Lafond estava lá, lindo e alto, na passeata do Gay Pride aqui no Rio.
(Sui Generis, n.36:4).
Um tema a ser ressaltado aqui, no sentido de compreender como a revista investe simbolicamente na unificação de uma certa identidade gay, é a abordagem "gay positive", como diriam os norte-americanos, ou uma atitude do texto militante em favor da homossexualidade. A revista busca, como já disse, mais do que uma militância política, abordar temas que interessem à comunidade homossexual de forma positiva. É o caso, como afirma o próprio editorial, de fugir das representações convencionais do homossexual na mídia brasileira, como marginal ou como "palhaço", tema este que percorre a revista de forma bastante presente, seja nos comentários dos repórteres a respeito das novelas sendo transmitidas ou de personagens gays que se destacam na mídia nacional e internacional.
A linguagem também, apesar de analítica até certo ponto, busca a familiaridade e a intimidade com o leitor homossexual. Ao mencionar personagens gays como "Painho" de Chico Anysio ou o "Capitão Gay" de Jô Soares, o texto recorre a um imaginário coletivo desse público de forma intimista, não perdendo tempo em esclarecer quem são, nem por que se falar deles, mas pressupondo uma familiaridade do leitor com a temática bastante recorrente desse editorial - a forma como os gays são representados pela mídia tradicional.
Em frases como "Divulga-se a causa gay para a sociedade, mas se paga o preço de nem sempre ser retratado segundo a nossa vontade.", e "mas a mídia, definitivamente, não é o maior de nossos problemas", o texto fala a seu público diretamente como a uma comunidade - "nossos problemas", "nosso retrato". "Somos todos parte de uma mesma problemática" seria uma reação desejada de um leitor gay.
A questão do preconceito é tratada de várias formas na Sui Generis. Por exemplo, o trabalho que estava sendo desenvolvido quando visitei a redação: uma matéria mais extensa e investigativa sobre extorsão policial e o abuso de autoridade com relação a gays. Segundo ele, a matéria iria abordar dois eixos importantes da questão: a violência policial e a atração que a figura fardada exerce sobre os gays. Focalizaria, portanto, o paradoxo entre o desejo gay, que se sente atraído pelo fetiche da autoridade e a masculinidade exacerbada de policiais de quem sofrem violência física, abusos de autoridade, extorsão de dinheiro e tortura psicológica.
Preconceito explícito
Madrugada. Rio de Janeiro. Aterro do Flamengo, conhecido ponto de pegação gay. Maurício caminha pela pista atento ao movimento de gays que transitam em busca de sexo anônimo. De repente, vê-se rodeado por 11 soldados do Exército. Cercado pelo grupo, ele é forçado a ir para o escuro, perto do Monumento dos Pracinhas, concebido por Oscar Niemeyer. Ali, é humilhado e torturado durante algumas horas. O grupo insinua que vai violentá-lo. Um deles tenta obrigar o rapaz a fazer sexo oral. Para completar, jogam-no no lago artificial que existe no lugar. Quando consegue escapar, já quase amanhecendo, inicia outra via crucis: denunciar o crime. Passa por diversas delegacias. A do Catete, por exemplo, onde deveria ser feita a denúncia, se recusa a receber a queixa. Quando finalmente consegue fazer a ocorrência, na delegacia da Praça Mauá, descobre que o caso não é só pertinente à justiça civil mas, também, previsto no Código Penal Militar. Amigo de Maurício, o barman Ricardo Machado, 33, foi o informante que narrou à Sui Generis a história.
(Sui Generis n. 43:42)
Sobre o tema da sedução o repórter escreve:
Farda como fetiche
Às vezes, a fronteira entre o flagrante e o assédio sexual é tênue. O barman Ricardo Machado, afirma, por exemplo, que durante muito tempo manteve relações sexuais com Miguel, um policial da PM casado. "Ficamos juntos quase três anos. A gente transava dentro da cabine mesmo. Ele contava que os colegas iam para o Arpoador tirar dinheiro dos rapazes que faziam pegação no local (o que não é ilegal). "De vez em quando, meu parceiro PM ia também. Um dia perguntei para ele: 'E se eles não derem dinheiro?', 'Aí a gente não pode fazer nada', respondeu." No Arpoador, os policiais partem primeiro para o assédio (sexual), e depois para a tentativa de extorsão. "Eles vão às altas horas da noite para o lugar, transam com os rapazes, e depois tiram o dinheiro de quem está lá.", conta o barman.
(Sui Generis, n. 43:44).
O fetiche da farda e da autoridade policial, denunciada como potencialmente perigosa na Sui Generis, recebe outro tratamento na Homens. Nessa última, o fetiche é celebrado como uma experiência lúdica e positiva. Ou seja, os aspectos eróticos e de aventura desse tipo de relação são utilizados como forma de chamar a atenção do leitor, excitá-lo. Aqui podemos melhor compreender a distinção que faço entre as duas revistas. O mesmo tema, recorrente no chamado "imaginário homoeótico", serve às duas publicações para propósitos completamente distintos. Enquanto uma usa o tema para denunciar o preconceito contra um grupo estigmatizado, a outra usa o mesmo assunto para erotizar o masculino e celebrar práticas eróticas transgressoras, tornando erótica ao mesmo tempo uma relação de dominação.
Como, por exemplo, a história em quadrinhos da edição 7 (p. 6 e 7), onde um rapaz tem um encontro erótico com um soldado:
Outro dia fui a uma festa na casa de uns amigos. Depois de beber um pouco, fiquei meio excitado. Decidi dar uma volta para ver se descolava uma brincadeira. Passando por um quartel, tive de dar uma paradinha. O sentinela era exatamente o que eu precisava para preencher aquele vazio dentro de mim. Como todo guardinha que se preza, ele não demorou para entrar na minha. Pulei a cerca e fomos nos divertir.
(Homens, n. 7:6)
A história continua com os detalhes do que os dois fizeram, mas em nenhuma parte a opção sexual dos envolvidos é discutida. O soldado é colocado como parceiro másculo e ativo (o que "come"), o rapaz como o parceiro passivo. A situação criada é de transgressão, o "macho", representado pelo soldado, provavelmente "heterossexual", ou cujo desejo se volta maioritariamente para mulheres, "comendo" um rapaz. O fetiche da farda é explorado pelo fato de a atividade sexual, além de ocorrer entre um rapaz e um soldado, acontecer dentro das grades do quartel. No final da história, os outros soldados também chegam para se divertir:
Após quase duas horas de prazer, eu já não conseguia nem me mexer. Quando pensei em ir embora um grupo de soldados apareceu dizendo ser a vez deles. Não pude fazer nada além de relaxar e gozar muito.
(Homens, n. 7: 7).
Ou seja, nem uma palavra denunciando a violência policial, os casos de extorsão, humilhação ou tortura de gays por soldados ou policiais. A história começa bem e acaba melhor ainda (do ponto de vista do narrador), ou seja, tudo não passou de diversão sexual.
A Homens, diferentemente da Sui Generis, não busca falar a uma comunidade de interesses homossexuais unificada, mas sim se volta às diversas variantes do homossexual: a bicha, o bofe, o travesti, etc. O desejo não ocorre sempre e necessariamente entre dois homossexuais. Muito mais comum são contos e insinuações nos ensaios de sexo entre "héteros" e "gays" ou "rapazes". Ou seja, entre gays e "machos", cuja preferência sexual são as mulheres.
Esse desejo difuso aparece na fala de personagens como a atriz e transformista Rogéria que, ao falar dos homens da sua vida, garante não gostar de transar com gays:
Quem são estes homens?
Meus namorados são advogados que já estão comigo desde os 19, e já estão com 24. Conheci um com 19 e o outro com 30. Não são homossexuais, porque esse negócio de dizer que todo mundo que sai com travesti é porque quer usar o lado masculino, é mentira. Ele quer uma fantasia. Aí você joga o cabelo, pinta a cara, bota um salto alto, um negligê e eles já estão gozando logo na entrada.
Então você sempre se relaciona com héteros?
Sempre, mas já transei com gay, só que eles não gostam de transar com travesti.
(Homens, n.8:14).
Só nessa pequena fala, vemos três categorias em jogo: héteros, gays e travestis. Todos constituem parte do mesmo jogo de desejo, não formas excludentes como a oposição homo/hétero convencional implica. Nesse imaginário, os héteros transam ocasionalmente com homens apesar de seu desejo se voltar para mulheres. Os travestis se vestem de mulher, transam com homens e até com mulheres. E os gays preferem outros gays ou héteros, mas não gostam de travestis. Para compreender melhor o universo desta e de outras categorias que fazem parte do imaginário brasileiro e que estão representadas na Homens, creio que podemos falar num gradiente de masculinidade, onde os personagens se classificam pelo seu índice de masculinidade, que sempre se define relacionalmente.
Por exemplo, um hétero estaria no topo da escala de masculinidade em relação aos outros, enquanto o travesti e o transsexual estariam na porção menos masculina. Entre esses pólos, estariam os gays, as bichas, os michês e bofes (que podem ser héteros ou não), uma diversidade de nomenclaturas. A tendência é de os mais femininos desejarem os mais masculinos e vice-versa. Mas não há característica fixa ou excludente. O termo "hétero" faz parte do imaginário, assim como gay ou "homo".
Esse tema foi objeto de discussão na reportagem "Estranha Atração" (Homens n.9, p. 16-17). Porque tantas "bichas" fazem questão de transar com "bofes"?
De qualquer modo, é inegável o fascínio que os heterossexuais exercem sobre muitos gays. Alguns levam esta história tão a sério que se recusam a ter relações com outros homossexuais e ainda brincam afirmando não serem lésbicas. Puro preconceito besta. Soa como uma ladainha antiga de que gay, no fundo é uma mulherzinha e por isso tem que ter um homem ao seu lado. Imagem criada na Idade da Pedra e desmistificada por qualquer homossexual com mais de dois neurônios. "Nos dias de hoje essa história de bicha que só gosta de bofe é muito démodé", afirma Ricardo Nogueira. Já Adalberto Rocha se diz um adepto do sexo com héteros. "Sou heterossexual. Só transo com homem", brinca.
(Homens, n.9:17).
Uma pessoa que percebe as categorias homo e heterossexual, tal como constituídas pelos movimentos gays (especialmente os norte-americanos), que indicam desejos cujas fronteiras nunca se encontram leria um texto desse com perplexidade. Como pode um gay transar com um heterossexual? Se todos os que desejam pessoas do mesmo sexo são homossexuais, porque se denominam entre outras coisas bicha, travesti, gay, bofe e viado? Não estão todos se enganando e perdendo de vista a "verdadeira" ordem das coisas?
Bem, como não penso que exista uma única e verdadeira ordem das coisas, considero importante debater esse imaginário, especialmente em relação àquele mais representado pela Sui Generis, pois são universos aparentemente separados, mas que convivem de forma intensa, mesmo na redação da SG Press, onde ambas as revistas são produzidas. Pelo menos no Brasil, não existe predominância de um paradigma homo/hétero sobre esse modelo "popular", mais diversificado. Apesar de alguns autores acharem que o modelo binário estaria se impondo no Brasil, através de fatores como a internacionalização do modo de vida gay norte-americano e a urbanização do país (como Fry, 1982), acredito que a situação seja mais complexa: um modelo se alimenta e convive com o outro.
Outro exemplo interessante para a compreensão desta vivência heterogênea das práticas homoeróticas e como elas afetam as representações culturais são os ensaios fotográficos. Tive a oportunidade de entrevistar o produtor das fotos publicadas na Homens, feitas como free lance. Sua equipe é de duas pessoas, ele e um fotógrafo. Durante a entrevista, revelou-me que seu "fotógrafo", na verdade, era uma mulher. "O pessoal não gosta de saber que é mulher que tira as fotos dos caras, então eu falo que é homem", ele revela. Inclusive, na revista, o crédito das fotos vai para um homem.
A questão do imaginário gay afeta todas as etapas do seu trabalho, desde esse fato de esconder a identidade da fotógrafa até a escolha e realização dos temas das fotos. Um dos ensaios que discutimos na entrevista era uma dupla de rapazes representando algumas cenas de erotismo numa borracharia ("Sacanagem no borracheiro", Homens, n.18:.28). O que chama a atenção no ensaio, segundo ele próprio, é o fato de os modelos representarem tipos não gays, mas viris, supostamente heterossexuais, de classe trabalhadora, embora, por alguma razão não explicitada no ensaio, estejam engajados em atividades homoeróticas. Isso fica claro tanto a partir de um olhar cuidadoso nas fotos quanto a partir da fala do produtor, que concebeu o ensaio.
Ele me disse, por exemplo, que "os modelos, na sua maioria, não são gays, pelo menos a maioria diz que não". Isso também é um elemento de excitação no imaginário do gay: homens não gays mas que fazem o papel de ativo, de penetrador, de dominante na relação com um gay (4). Nas entrevistas publicadas junto com os ensaios, nenhum modelo se considera gay, embora todos admitam terem relações com homens ocasional ou freqüentemente, como nos casos de michês.
Esse ensaio fotográfico, "Sacanagem no borracheiro", evidencia, de forma interessante, como o imaginário gay brasileiro é múltiplo e incoerente. Nesse trabalho apresentado, não há em nenhum momento as palavras "gay" ou "homossexual". Os modelos, nas fotos e nas entrevistas, se posicionam de maneira ambígua quanto ao seu próprio desejo. A primeira referência de desejo é sempre a mulher, apesar de o sexo com homens nunca ser descartado. "Comer cu", "Ser chupado" são sempre atividades possíveis a esses sujeitos, que são duplamente personagens. Nas fotos, aparecem, dois rapazes que trabalham no borracheiro. Na entrevista, encenam dois modelos viris que, por acaso, fizeram fotos para gays. Nunca temos acesso à real prática sexual desses sujeitos que, nesse caso, não interessa tanto quanto o imaginário que os circunda. Como um deles admite ser garoto de programa contratado numa sauna, podemos supor que ele com freqüência tenha relações sexuais com homens. O interessante, de novo, não é saber com quem eles fazem sexo, mas entender como uma multiplicidade de referências são mobilizadas pela revista.
Na entrevista que um modelo cede à Homens, podemos ver claramente como é múltiplo esse desejo e como as práticas homoeróticas do entrevistado não o fazem se sentir gay como os homens com os quais ele pratica sexo.
Como é o assédio em cima de um stripper?
Muito grande. Tanto por travestis, como por gays e mulheres, tudo é a mesma coisa.
E como você lida com isso?
No trabalho, não gosto de me envolver. Lá fora, tudo bem.
E quando acontece lá fora?
Tem cada indireta que a gente fica até sem graça. Rola principalmente com gays.
[...]
Você já transou com homem?
Já, foi normal. Conheci ele dançando. Ele me pediu o telefone e aí aconteceu.
E o que você sentiu transando com um homem?
Foi meio estranho, não é como uma mulher.
Bom, espera-se isso. Mas como aconteceu?
Cheguei na casa dele meio tímido, mas já sabia o que ia acontecer. Fui para comprovar e rolou.
[...]
Você faria um filme gay?
Não, senão fico muito queimado na praça. Com um de travesti já fiquei.
(Homens, n. 18:32).
O discurso do repórter aqui é bem distante da militância afirmativa da Sui Generis. O entrevistador não questiona as incoerências do entrevistado, não sugere que ele é gay, e aceita tacitamente a divisão que o stripper estabelece entre o que ele está fazendo e "ser gay". O rapaz sugere que fazer filmes gays não é bom negócio, pois "queima o filme", ou seja, diminui a masculinidade do modelo o que prejudica os seus futuros trabalhos em filmes pornôs, boites de strip e mesmo na prostituição.
De uma forma ou de outra, a revista não coloca esses temas em discussão como faria na Sui Generis. Essa revista, na sua edição 33, discute isso na matéria "Traídos pelo desejo", sobre como práticas homoeróticas clandestinas por parte de pessoas que assumem uma "persona" pública heterossexual são sintomas de uma homossexualidade latente.
Desde que o mundo é mundo, a traição faz parte do cardápio das tentações carnais. A infidelidade torna-se um repasto mais apimentado quando o triângulo tem num dos vértices um parceiro do mesmo sexo. Chama a atenção, por exemplo, a alta freqüência de homens casados que vão a saunas. E outros que, na calada da noite, procuram a companhia de travestis e michês. As mulheres também não ficam atrás e enganam seus maridos com outras parceiras. Sui Generis investigou as motivações destas aventuras extraconjugais que, segundo os especialistas, na maioria das vezes, escamoteia uma homossexualidade latente.
(Sui Generis, n. 33:28).
Conclusões
Penso portanto ser impossível adaptar à realidade brasileira de forma direta o modelo norte-americano de percepção da "opção sexual", que significa mais ou menos um contínuo homossexual/bissexual/heterossexual, de categorias mutuamente excludentes (um "homossexual tem desejos, práticas e posturas completamente diferentes de um hetero ou bissexual, e assim por diante). São categorias que surgiram num discurso médico do século XIX e que se associam a predisposições biológicas do indivíduo para cada uma das identidades.
Também não fico satisfeito com a oposição entre modelo hierárquico e modelo igualitário apresentado em outros trabalhos sobre homossexualidade no Brasil (Fry, 1982; MacRae, 1990). O modelo hierárquico, segundo Fry, mais presente nas ditas "classes populares", organiza os indivíduos em "passivos" e "ativos"; aí a prática sexual não define a identidade homo ou heterossexual. O modelo igualitário, mais presente nas classes médias urbanas e baseado em paradigmas elaborados pelos movimentos gays nos Estados Unidos, não separa hierarquicamente ativos de passivos, sendo a prática homoerótica definidora e unificadora da condição gay.
Esse modelo é muito explicativo, quando por exemplo permite compreender as diferenças entre o modelo subjacente na Homens (hierárquico) e na Sui Generis (igualitário). Para mim, no entanto, acho problemático propor, este autor o faz, uma evolução entre um modelo e outro, pressupondo o igualitário como decorrência natural da evolução da sociedade e como necessariamente melhor (por ser "igualitário"), desqualificando outras práticas sexuais e associando-as a classes menos privilegiadas e a uma "cultura inferior" de forma geral. Não podemos também perder de vista também as adaptações dos diversos modelos disponíveis feitas pelos sujeitos em suas práticas concretas. A meu ver, o modelo denominado hierárquico é bastante prevalecente, tanto nas classes baixas quanto nas médias e intelectualizadas, influenciando mesmo os núcleos da cultura gay que rechaçam as categorias desse modelo, como bofe e bicha, em preferência a "gay" ou "homossexual" genérico e igualitário.
A pluralidade de práticas homoeróticas no Brasil é enorme, não sendo esgotadas pelas concepções elaboradas no gueto. A vivência "homossexual" ou "homoerótica" brasileira transcende o gueto e se confunde com o modelo dominante heterossexual. Isso no sentido em que as percepções populares e prevalecentes das práticas homoeróticas entre bofes e bichas não são categorias restritas aos indivíduos que as praticam, mas são correntes em toda a sociedade, indo além das categorias importadas (gay ou homossexual) usadas para descrever essas práticas. Há espaço, na vivência heterossexual popular, para todo tipo de categoria não heterossexual, como a bicha e o travesti, figuras que são legítimas na mesma medida em que são subordinadas. Não ocorre, no Brasil, como os discursos vindos dos EUA nos levam a crer que acontece por lá, uma contradição entre a norma heterossexual e as práticas não hegemônicas. Os "não heterossexuais" fazem parte do imaginário dominante como formas grotescas e inferiores, sendo populares na mídia como figuras cômicas.
Portanto as contradições que ocorrem numa redação como a da SG Press, que produz uma revista de cultura e comportamento voltada para a "classe média intelectualizada" e uma revista erótica para o mercado de massa, são as contradições próprias do imaginário (homo)erótico brasileiro. Na mesma medida em que este imaginário é fluído, contraditório e múltiplo, assim o são as representações que vemos circular nas revistas voltadas a este tema.
A Sui Generis, ao mesmo tempo que tem por "missão editorial" uma elevação da auto-estima de seus leitores ao dizer que gays são "bons consumidores", gostam de cultura, são inteligentes, entre outro clichês, deixa de fora uma enorme massa de indivíduos que, mesmo tendo desejos semelhantes aos gays retratados na revista, não possuem renda suficiente para consumir os produtos anunciados e não se adaptam ao modelo corporal alardeado em suas páginas: um corpo malhado, branco, sem pêlos e que deve constantemente ser exibido sem camisa nas casas noturnas e na beira da praia.
O retrato do gay consumista, individualista e vaidoso pintado pela revista retrata portanto uma minoria dentro da minoria. Ou seja, ao mesmo tempo em que a revista busca abrir espaços para uma população excluída, vítima de abusos e preconceitos, o modelo proposto para a integração na sociedade é muito particular e fora do alcance da maioria dos indivíduos que sofrem os preconceitos denunciados na revista.
A revista Homens, por sua vez, também não oferece uma solução para este problema. Nas suas páginas a multiplicidade de personagens é maior, o fator consumo não é tão marcante, mas da mesma forma nos é proposto um modelo de ser gay que reduz as possibilidades existenciais dos leitores. Pois ali somos levados a crer que somente machos, viris, heterossexuais e muitas vezes musculosos e bem dotados são dignos do desejo sexual. Ou seja, de que o desejo por pessoas do mesmo sexo ocorre sempre de forma velada, de forma camuflada, entre homens casados, policiais, militares, e bichas, travestis, etc. São situações onde sempre há um pólo de um "macho" dominante, de uma situação de subjugação, mesmo que momentânea.
Não negando a qualidade erótica destas representações, me incomoda o fato de que as práticas homoeróticas sejam tão freqüentemente representadas como atos de submissão a um "Macho". Como coloca Bourdieu (1998), ocorre a erotização no plano das representações de uma dominação muito palpável no cotidiano de muitas pessoas. Ao mesmo tempo se reduz, da mesma forma como na Sui Generis, a diversidade de possibilidades existenciais e sexuais, disponíveis para o ser humano que busca prazer com pessoas do mesmo sexo.
Não há, portanto, soluções simples para o problema do preconceito, pois as dissonâncias fazem parte da própria constituição dos lugares ocupados por "gays". Portanto a multiplicidade, enquanto característica congênita deste locus tão específico dos discursos sobre sexualidade e erotismo na nossa cultura, deve ser explorada e valorizada, inclusive nas suas idiossincrasias. Não devemos, penso eu, nos contentar em estabelecer posições rígidas para a nossa sexualidade, mas abrir sempre mais possibilidades para a livre expressão do nosso erotismo, sem sermos vítimas constantes de preconceitos, abusos e discriminações.
Referências Bibliográficas:
BOURDIEU, Pierre. La Domination masculine. Paris: Seuil, 1998.
BOURDIEU, Pierre. Sobre a televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.
COSTA, Jurandir Freire. A Inocência e o Vício: Estudos sobre o homoerotismo. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1992.
FRY, Peter. Para Inglês ver; identidade e política na cultura brasileira. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.
MACRAE, Edward. A Construção da igualdade; identidade sexual e política no Brasil da Abertura. Campinas: UNICAMP, 1990.
Revistas Consultadas:
Homens, Rio de Janeiro, ano 2, n. 7.
Homens, Rio de Janeiro ano 2, n. 8.
Homens, Rio de Janeiro ano 2, n. 9.
Homens, Rio de Janeiro, ano 2, n. 10.
Homens, Rio de janeiro, ano 2, n. 12.
Sui Generis, Rio de Janeiro, ano IV, n. 33, 1998.
Sui Generis, Rio de Janeiro, ano IV, n. 34, 1998.
Sui Generis, Rio de Janeiro, ano IV, n. 35, 1998.
Sui Generis, Rio de Janeiro, ano IV, n.36, 1998.
Sui Generis, Rio de Janeiro, ano IV, n. 37, 1998.
Sui Generis, Rio de Janeiro, ano V, n. 43, 1999.
NOTAS:
1 Este trabalho é parte de uma pesquisa de mestrado, financiada pelo Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), sob orientação da profa. Guita Grin Debert, no departamento de Antropologia da UNICAMP. [volta ao texto]
2 Baseio-me aqui numa palestra conferida pelo Diretor de Redação da revista Raça Brasil, feita na UNICAMP, em 1997, quando ele mencionou a auto-estima do negro como uma das preocupações primordiais da revista. [volta ao texto]
3 Não se trata, neste trabalho, de avaliar a extensão desse preconceito, mas de registrar aqui o fato de ele penetrar todo o imaginário sobre gênero da sociedade brasileira (ver Fry, 1982 e MacRae, 1990). [volta ao texto]
4 Sobre o imaginário gay no Brasil ver Fry, 1982 e MacRae, 1990. [volta ao texto]
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